

Podcast da Semana
Gama Revista
"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.
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Sep 10, 2023 • 28min
Tássia Magalhães: "Encaro premiações sem pirar"
A chef de cozinha Tássia Magalhães virou uma colecionadora de prêmios. Comemorou o primeiro aniversário do restaurante Nelita com a notícia de que integrava a lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, ranking feito pela revista britânica Restaurant. Agora, um ano depois, ela viu seu restaurante ser eleito o melhor da cidade mais gastronômica do país, a capital paulista, pela Folha de S.Paulo.
Se o céu parece ser o limite para esta jovem chef de 34 anos, só falta uma estrela. Com o retorno do guia Michelin ao Brasil, que volta a ser reeditado por aqui depois de um hiato pandêmico, há uma expectativa de que o Nelita ganhe ao menos uma unidade da condecoração máxima da cozinha no mundo. Quem está acompanhando ao seriado-febre “The Bear”, sobre o mundo da gastronomia em Chicago, sabe o que isso significa. “Acredito que estou no auge da minha carreira, mas encaro as premiações de maneira que não pire. É muito difícil trabalhar em restaurante. Há muitas oscilações; tem dia que funciona muito bem, tem dia que não é igual”, afirma ao Podcast da Semana.
Nascida em Guaratinguetá, São Paulo, Tássia Magalhães se formou no Hotel Escola Senac Campos do Jordão e entrou em uma cozinha profissional pela primeira vez aos 18 anos no Pomodori, sob a batuta de Jefferson Rueda, chef que figura em outra lista do 50 Best, essa a dos melhores do mundo. Viajou pela Europa e estagiou em restaurantes nórdicos como o Geranium (três estrelas Michelin), o Kadeau, o Amass e na confeitaria Summerbir. Aos 23, assumiu o cargo de chef pela primeira vez, ainda no Pomodori, onde ficou por dez anos no total. Depois de um período de pausa, ela abriu o Nelita em 2021 e, neste ano, a confeitaria Mag Market.
Ao Podcast da Semana, ela fala sobre o machismo na cozinha, o fato de ter virado uma referência, o que faria diferente se tivesse a chance de uma nova primeira vez e o que aconselha em quem quer estrear no mundo da gastronomia.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

Sep 3, 2023 • 50min
João Moreira Salles: “A nossa ocupação da Amazônia sempre foi desinteressada”
Foi inicialmente por uma pendência pessoal que o documentarista e escritor João Moreira Salles, entrevistado deste episódio, escolheu passar seis meses no Pará.
João sentia que faltava a ele, a sua trajetória, uma relação mais próxima com a Amazônia. "Há uma falha de imaginação em transformar a Amazônia em matéria simbólica. Nós somos um país em que 60% do seu território em que 60% do seu território é a maior floresta tropical do mundo, e no entanto a floresta nao nos define como brasileiros", diz neste episódio do Podcast da Semana.
Dessa experiência, nasceram algumas reportagens para a revista Piauí, e também, de maneira expandida, o livro "Arrabalde: Em Busca da Amazônia" (2022), lançado pela Companhia das Letras.
Com essa viagem e por meio de uma pesquisa multidisciplinar, ele busca entender por que a floresta é vista como um lugar tão distante para a maioria dos brasileiros – ainda que represente a sobrevivência dos povos originários e do planeta.
No livro, e na conversa com Gama, João investiga essa nossa relação com a maior floresta tropical do mundo. Vai desde a chegada dos colonizadores até os anos 1960 – quando o foco declarado de governantes era transformar tudo em pasto -- discurso que se repetiu nos período em que Jair Bolsonaro ocupou a presidência.
Ele traz pesquisas, entrevistas, e seu olhar pessoal de viajante, de observador, de alguém claramente envolvido com esse tema e com esse bioma que pode transformar o Brasil em protagonista, numa "potência ambiental dos trópicos", nas palavras de João Moreira Salles.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic

Aug 27, 2023 • 33min
Gabriela Amaral Almeida: "O terror é um gênero que se alimenta da ansiedade"
O terror é um gênero que floresce quando há crises, que "se alimenta da ansiedade". E, neste momento, com tantas turbulências políticas, sociais e ambientais especialmente, o mundo oferece um prato cheio para este tipo de produção. Este é um dos motores que nos fazem testemunhar uma nova era de ouro para os filmes de medo, segundo a avaliação da Gabriela Amaral Almeida, diretora de filmes de terror brasileira que é a entrevistada desta edição do Podcast da Semana.
Expoente de uma vertente que ficou conhecida como “horror social”, Almeida encontra o terror nas tensões cotidianas, como mostrou em filmes com "Animal Cordial" (2017) e "A Sombra do Pai" (2018). Agora, ela se prepara para filmar "Cão de Guarda", que tem Murilo Benício no papel principal de um pai que perde a capacidade de sentir emoções em um acidente de trabalho brutal e parte em uma viagem de moto de São Paulo ao Rio Grande do Sul para entregar sua filha à ex-mulher. "Essa fragilidade da família brasileira pode ser explorada com uma alegoria do horror muito bem", afirma a Gama.
A roteirista e diretora estudou cinema na Universidade Federal da Bahia e Roteiro na Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba, além de ter pesquisado a fundo a obra de Stephen King no mestrado, um autor que, segundo ela, "tira o gótico dos castelos para inserir na classe média norte-americana". "O horror de Stephen King vem como uma metáfora da corrupção da família americana. Eu li e estudei por tanto tempo que vejo a família brasileira também como uma unidade frágil às mudanças políticas, econômicas", afirma.
Nesta edição do podcast ela fala sobre os subgêneros do terror, sobre o que realmente dá medo nesses filmes, e sobre como tem ainda preconceito contra o gênero, apesar do sucesso de crítica, e principalmente contra as mulheres que querem fazer terror.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

Aug 20, 2023 • 39min
Mariana Valente: "Não é sua culpa se os nudes caem na rede"
Você tem dúvidas que a internet pode ser um lugar nefasto especialmente para as mulheres?
Basta olhar a frequência com que elas têm fotos nuas expostas nas redes sem autorização e são extorquidas e manipuladas por conta disso – caso da atriz Carolina Dieckmann, que teve de lidar com a disseminação de retratos de nudez, após a invasão de seu e-mail. O fato deu origem a uma lei que leva seu nome e que puni crimes cibernéticos.
Há também ataques e perseguições direcionados a elas. Aqui lembramos de Lola Aranovitch, professora universitária e ativista feminista que virou alvo de grupos de homens que atacam mulheres online e inspiração para uma outra lei que combate crimes de misoginia na internet.
Essas duas leis foram promulgadas em 2012 e em 2018, respectivamente. Partindo disso, podemos dizer que é relativamente recente esse entendimento de que há, sim, violência de gênero online.
Foi baseada no período de uma década -- 2012 a 2022 --, que Mariana Valente, diretora do Internet Lab e professora de direito na Universidade de São Galo, na Suíça, lançou "Misoginia na Internet"(Fósforo, 2023).
Ao longo de sua carreira, Mariana Valente se dedicou à pesquisa de tecnologia e sociedade, economia digital e direitos on-line, com especial foco em violência de gênero, acesso ao conhecimento e outras questões de equidade.
Neste episódio do podcast, ela relaciona a violência online com o machismo que marca a sociedade brasileira fora das redes, trata das dificuldades encontradas por mulheres que buscam seus direitos ao sofrerem violências onlines e abre janelas para pensarmos e lidarmos com um tema tão complexo como esse.

Aug 13, 2023 • 26min
José Henrique Bortoluci: "A busca da história de um pai é uma busca sobre quem nós somos"
A trajetória de um pai caminhoneiro, que passou 50 anos de sua vida pelas estradas no país é contada pelo filho, José Henrique Bortoluci no ensaio biográfico "O que é meu", lançado pela editora Fósforo.
Durante um período da pandemia do covid-19, o sociólogo e escritor -- nosso entrevistado de hoje -- sentou para ouvir o pai, José Bortoluci, para relembrar as histórias que haviam preenchido seu imaginário durante a infância e adolescência, quando o pai voltava de viagens de um mês, um mês e meio, pelos Brasil dos anos 1960, um período de ditadura militar.
Essas conversas aconteceram quando o pai tratava também um câncer. "A escuta e a necessidade do cuidado criaram pontes entre nós dois que são um grande presente da vida. Hoje eu acho que uma das grandes coisas que eu tiro desse livro foi esse aprofundamento muito grande da relação com meu pai", diz a Gama.
O livro do José Henrique Bortoluci já era um fenômeno editorial antes mesmo de ser lançado, no começo de 2023. Doze países vão publicar o título, que se encaixa no gênero de autoficção.
Esse é o primeiro livro do autor, que é doutor em sociologia pela Universidade de Michigan em desde 2015, leciona na Fundação Getulio Vargas. É um livro que consegue, ao mesmo tempo, tratar de amor, de saudade, da diferença de classe que se formou entre os dois -- o pai caminhoneiro, o filho sociólogo -- e da história do Brasil.
A conversa deste episódio é sobre essa relação pai e filho, sobre distanciamentos e aproximações e sobre uma classe trabalhadora que é essencial na história do país, mas nem sempre é lembrada.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic

Aug 6, 2023 • 32min
Ana Suy: "Traição: não dá pra fingir que nada aconteceu"
A traição é um tema que aparece nos relacionamentos amorosos. Seja na cabeça dos ciumentos, em descobertas dolorosas demais, seja na tentativa de evitar esse sofrimento abrindo o relacionamento – um formato crescente nos acordos entre casais.
É sobre o episódio com Ana Suy, psicanalista, pesquisadora, autora de uma série de livros sobre amor, desejo e relacionamento, entre eles o best-seller “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” (Paidós, 2022). Ela é também professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e uma voz ativa nas redes, com mais de 300 mil seguidores no Instagram.
Na conversa com Gama, ela fala sobre o que significa a traição em um relacionamento, diz que a grande questão das partes envolvidas não é contar ou não contar, mas entender por que isso aconteceu. "A traição vai realizar uma fantasia infantil nossa, desastrosa, que é de perder o lugar de ser o objeto amado para alguém", diz a Gama. A psicanalista nos ajuda a identificar em que tipo de relacionamento amoroso estamos inseridos, e sobre as dificuldades de lidarmos com essa quebra de confiança.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
Edição de som: Laura Capelhuchnik

Jul 30, 2023 • 34min
Maria Stockler Carvalhosa e Daniela Thomas: "O audiolivro dá foco de presente"
A nova editora de audiolivros Supersônica nasceu do encontro de quatro mulheres, mas especialmente graças à editora Maria Stockler Carvalhosa. Ela perdeu a visão na adolescência, mas nunca abandonou a literatura. Estudante de letras, ela tinha uma queixa com os leitores eletrônicos, que deixavam o texto sempre frio demais e a experiência triste. Ao saber disso, a artista multimídia Daniela Thomas, amiga da família da Maria e consumidora voraz de audiolivros, entendeu que tinha aí uma oportunidade boa para ser explorada. A elas duas, se uniram a escritora Beatriz Bracher e a produtora executiva e artística Mariana Beltrão e agora no segundo semestre será lançada a editora. A ideia é lançar grandes títulos da literatura, clássicos e contemporâneos, narrados por vozes importantes da cultura brasileira. Pros dois primeiros anos de Supersônica, tem uma programação de 20 lançamentos, que incluem livros de Annie Ernaux lidos pela atriz Isabel Teixeira. Ao Podcast da Semana, Maria Stockler Carvalhosa e Daniela Thomas contam qual o barato desses livros sonoros. O que elas dizem é que eles conseguem capturar todo o nosso foco e a nossa atenção e nos levar a um mundo mágico de um jeito incomum para esse mundo de tanta distração. "O audiolivro te dá o esse presente do foco, você não precisa fazer esforço e ele domina a sua consciência. É um tempo que você ganha de presente para fazer uma viagem astral para dentro do que o autor propõe", diz Thomas.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira LimaEdição de som: Laura Capelhuchnik

Jul 23, 2023 • 34min
Flávia Oliveira: "Ter um neto dá a sensação de permanência, mas também de finitude"
“Ter um neto dá a sensação de permanência, mas também de finitude.” Com essa declaração, a jornalista Flávia Oliveira comenta como tem sido a experiência dela de ser avó de Martin, de dois anos e meio. Comentarista da Globonews e colunista do jornal O Globo e da rádio CBN, ela fala sobre um mix de sentimentos, uma sensação de realização mas também de certo desconforto, ao ter assumido esse novo papel. Oliveira é a entrevistada da edição sobre avós do Podcast da Semana.
“Talvez tenha sido a experiência mais bonita e profunda que eu tive em um momento de tragédia global”, diz sobre o nascimento do Neto durante a pandemia. “Eu vivi a gestação da minha filha com uma intensidade maior do que a própria gestação que eu tive”, ela conta. A mãe de Martin é a também jornalista Isabela Reis, com que Oliveira apresenta o podcast Angu de Grilo.
Ao Podcast da Semana, Flávia Oliveira falou sobre o envelhecimento da população brasileira e o que isso representa para a sociedade e para o país, tanto social quanto economicamente; sobre o etarismo no mercado de trabalho; sobre a ideia de ancestralidade ser mais discutida hoje; e sobre o que isso representa para as religiões de matriz africana. Ela fala também sobre a sua experiência pessoal como avó e sobre a importância dos avós serem rede de apoio para mães, mulheres que muitas vezes estão sobrecarregadas entre o cuidado dos filhos e o trabalho.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
Edição de som: Laura Capelhuchnik

Jul 16, 2023 • 33min
Valdecir Nascimento: "Como um médico pode decidir que uma mulher negra pode sentir mais dor que uma branca?"
O racismo e o machismo são as principais ameaças aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres negras e, na visão de Valdecir Nacimento, fundadora do Instituto Odara, uma organização negra feminista centrada no legado africano e sediada em Salvador, na Bahia, eles nunca estiveram bem no Brasil. E gera números assustadores, como um alto índice de mortalidade materna, assim como o de mortalidade infantil, que estão diretamente relacionados:
"O estado que proibe o aborto e persegue as pessoas que fazem aborto é o mesmo que mata crianças e jovens negros. O índice de meninos e meninas negras assassinados pela polícia é alarmante. O mesmo estado que tem os defensores e os heróis, os donos de Deus. O aborto descriminalizado também vai assegurar que as mulheres negras tenham outro tipo de cuidado e não precisem abortar nem morrer de aborto. O racismo tem tudo a ver com isso", afirma a Gama.
Entrevistada da edição sobre direitos sexuais e reprodutivos do Podcast da Semana, Valdecir Nascimento diz que o tipo de atendimento que uma mulher negra recebe ao ir a um posto de saúde é pior que o de uma mulher branca. "Como um médico pode decidir que uma mulher negra pode sentir mais dor que uma branca na hora de ter um filho, de receber uma anestesia?", questiona.
Na entrevista, ela fala sobre o escopo mais amplo desses direitos, que hoje vão desde a discriminalização do aborto e o direito a um acompanhamento de gravidez e parto humanizado até o acesso a absorventes íntimos para todas as mulheres, e discorre sobre a diversidade da mulher negra brasileira: "O tailleur não cabe nas mulheres negras, nossa presença incomoda muito por isso". Graduada em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Mestre em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), ela se debruça há décadas sobre a situação da mulher negra e luta por direitos.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
Edição de som: Laura Capelhuchnik
No link abaixo e também no Deezer, Spotify, Apple Podcast, Google Podcast você escuta este episódio.

Jun 25, 2023 • 33min
Marcelo Rubens Paiva: "Perdoar faz muito mal ao país"
O escritor, dramaturgo e jornalista Marcelo Rubens Paiva traz na sua produção até agora uma combinação sensível entre memória pessoal e de país.
Entrevistado deste episódio, ele já levou um jabuti pelo seu livro "Feliz Ano Velho", que em 2022 completou 40 anos. É autor de peças e livros como "Blecaute" (1986), "Malu de Bicicleta" (2003) e "Ainda Estou Aqui" (2015) – esse, que é seu livro mais recente, vai virar um filme dirigido por Walter Salles.
Para Marcelo, o "Ainda Estou Aqui" é, de alguma maneira, a continuação do "Feliz Ano Velho", lançado em 1982 – ainda um período de ditadura militar.
Neste título mais recente, ele traz a história de sua mãe, a advogada Eunice Paiva, que ficou viúva depois que seu marido, Rubens Paiva, foi torturado e morto pela ditadura, deixando cinco filhos. É também um livro sobre o avanço do Alzheimer em Eunice.
Agora, Marcelo está trabalhando em um novo livro, esse sobre paternidade, que vai sair pela Companhia das Letras. Ele é pai de dois meninos.
Na conversa a seguir, ele fala de memória, de escrita, de paternidade, da importância de relembrarmos os traumas de um país e da força de sua literatura.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
Edição de som: Laura Capelhuchnik


