Podcast da Semana

Gama Revista
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Nov 19, 2023 • 32min

Bruna Beber: "Nunca vivi um momento tão bom da poesia para as mulheres"

É notável o número de mulheres poetas brasileiras que participam da Festa Literária Internacional de Paraty neste ano. Entre elas, está a fluminense Bruna Beber, que afirma que este é um dos melhores momentos para as poetas no país. "Vejo muitas mulhres publicando e traduzindo poesia, muitos eventos voltados para a poesia, saraus, leituras, nunca vivemos um momento tão profícuo de circulação da palavra poética, escrita e falanda por mulheres", afirma a convidada desta edição do Podcast da Semana sobre literatura. Beber, que é também tradutora e letrista, lançou neste ano "Veludo Rouco", pela Companhia da Letras, e "Sal de Fruta", que reúne 15 crônicas sobre frutas, pelo Círculo de Poemas, fala da proximidade da crônica com a poesia e da poesia com a vida cotidiana. "Estamos versando cada vez mais sobre o que está muito próximo, de dentro da vida. Ainda falamos de amor e morte porque a vida é a principal matéria, mas existe o banal, que está tão dentro da vida quanto o amor e a morte. Tudo se mescla e dá essa falsa impressão de simplicidade, de algo mais pueril, mais coloquial", afirma sobre o tom aparentemente trivial da poesia contemporânea. Ao Podcast da Semana, a poeta conta sobre seu processo de escrita e reescrita, de como grava e ouve a própria voz para encontrar o ritmo certo. Vem do ouvido bem treinado pela proximidade com o samba a vontade de ouvir o que escreve. Já para compor letras, ela criou um jeito próprio de "desenhar" a música e assim encontrar a métrica certa. É dela a letra de "Que Estrago", do álbum "Letrux em Noite de Climão" (2017). Radicada em São Paulo desde 2007, lançou seu primeiro livro, "A Fila Sem Fim dos Demônios Descontentes" (Ed. 7Letras) um ano antes. Como tradutora, é responsável pela edição de "Hamelet", de Shakespeare, para a editora Ubu, bem como a série de clássicos infantis "Dr. Seuss", pela Companhia das Letrinhas. Na entrevista a Gama, Beber também fala sobre sua experiência em tradução e como encontra o momento certo para "aparecer" e para "sumir" nesses textos. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
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Nov 12, 2023 • 36min

Fê Lopes: "É preciso não colocar a criança de escudo na briga que é dos adultos"

É possível ter uma separação verdadeiramente amigável? Quando se tem filhos no meio de uma crise conjugal, há uma preocupação a mais, que é a do sofrimento das crianças e dos adolescentes. Como fazer com que eles sofram menos com o fim do casamento dos pais? Para a psicóloga e psicanalista Fê Lopes, não se deve “blindar” as crianças, mas considerar a sua importância e o seu bem-estar antes de agir. “É preciso evitar usar as crianças como moeda da disputa, da raiva, do ódio, ou vamos ter a criança em uma situação muito ruim. Uma briga atravessa e afeta diretamente a criança. De que jeito eu cuido para que essa briga dos adultos não use as crianças como munição ou escudo?”, afirma no Podcast da Semana. “Não dá pra blindar as crianças 100% de tudo. O que temos que assegurar é que as brigas, por exemplo, não têm a ver com elas.” Lopes, que é psicóloga clínica, psicanalista com formação em psicanálise da parentalidade e da perinatalidade pelo Instituto Gerar, e em psicologia e relações étnico-raciais no Instituto Amma Psique e Negritude, afirma que o diálogo é central para chegar à situação mais confortável para todos. Ela lembra que, muitas vezes, o divórcio vai apresentar um estreitamento de relação inédito entre criança e cuidador, nos casos de guarda e visitação compartilhada, especialmente no caso em que um dos dois cuidadores principais é mais presente que o outro. Isso, ela diz, nem sempre vai ser bom para a criança, que pode estar mais interessada em mudar o mínimo possível de sua vida e sua rotina. A psicóloga também lembra que um complicador da separação são as regras diferentes nas duas casas dos cuidadores, se um restringe telas e o outro libera completamente, por exemplo. A psicóloga comenta ainda os casos em que duas pessoas insistem em manter a relação, ainda que não exista mais vontade de continuar, para não "traumatizar" os filhos. "Manter uma relação por causa do seu filho é dar um peso nas costas da criança que não é dela. Ficar junto ou separado não é da responsabilidade da criança, mas da competência dos adultos", afirma na entrevista do podcast que está disponível em todas as plataformas de áudio. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
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Nov 5, 2023 • 34min

Helena Rizzo: "Como as pessoas constroem a tua imagem diz mais respeito a elas do que a ti"

Aos 44 anos, a gaúcha Helena Rizzo é uma das chefs mais celebradas do Brasil, que se tornou ainda mais conhecida fora do mundo da gastronomia ao tornar-se jurada do programa "Masterchef", que vai ao ar para todo Brasil na TV aberta. Com essa nova experiência, veio um novo público e muitas ideias sobre quem ela é, que nem sempre estão de acordo com a maneira como ela se vê. "Como as pessoas constroem a tua imagem diz mais respeito a elas do que a ti", ela declara na entrevista ao Podcast da Semana sobre imagem pública. “Eu não me preocupo com a imagem, mas com o meu pensamento e em como praticá-lo. Hoje em dia, com esse excesso de informação, o pensamento muitas vezes não é teu, são fluxos de pensamento”, afirma a chef do estrelado Maní e sócia dos descolados Manioca e Padoca do Maní.Chef estabelecida na alta gastronomia e com experiência de quase 30 anos na cozinha profissional, ela foi modelo por três anos no começo da vida adulta. Essa experiência, embora tenha sido rápida, foi marcante e ficou na cabeça de muita gente, o que já gerou problemas para ela, como comentários sobre sua beleza em detrimento de sua capacidade como cozinheira. "[Quando comecei] Eu não queria ser rotulada como chef-modelo. Tinha medo de ser tirada de burra. Então fui atrás de conhecimento em cozinha", conta. Rizzo também tem presença forte no Instagram, mostra seu trabalho e também sua vida pessoal, seu envolvimento com a arte, com a cultura e com a política, sem esconder como pensa. E, por isso, já pagou também um preço, como ataque de seguidores, perda de clientes, novos haters. Ela fala sobre todos os lados da imagem pública na entrevista ao Podcast da Semana, que você pode ouvir em todas as plataformas de áudio.
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Oct 29, 2023 • 32min

Vanessa Rozan: "Autocuidado pra mim é tempo e terapia"

Autocuidado virou uma palavra da moda que, e de tão usada, teve seu sentido ampliado Cuidar de si tem a ver com tempo, dinheiro, alimentação, prática de esportes, com saúde mental e até com a capacidade de dizer não. E, nos últimos tempos, autocuidado esteve cada vez mais relacionado ao universo da beleza, especialmente após os desafios que esse mercado teve de enfrentar durante a pandemia. Este episódio traz a maquiadora, apresentadora de TV, pesquisadora e colunista da Gama, Vanessa Rozan. Ela é também proprietária do Liceu de Maquiagem, uma escola e academia de maquiagem e beleza profissional. Na conversa, Vanessa fala da sua relação pessoal com o autocuidado, fala sobre como ficou o tempo para cuidar de si depois que ela virou mãe, analisa os artifícios do mercado de beleza para associar beleza ao bem-estar – e transformar essa relação em produto. Fala também da maneira complexa como o corpo da mulher, a aparência física feminina, aparece nas redes sociais. Tema da sua pesquisa de mestrado e que ela agora desenvolve mais no doutorado. Um assunto central também nas suas colunas aqui na Gama. Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
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Oct 29, 2023 • 24min

Esper Kallás: “A queda histórica da vacinação é reversível”

Um dos principais fabricantes de imunizantes do país, o Instituto Butantan, teve papel essencial durante a pandemia do Covid-19. Mas não é de hoje que a instituição, que é também um grande centro de pesquisa e ensino, faz a diferença na saúde do país. O atual diretor, Esper George Kallás, que é também professor titular de moléstias infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, é o entrevistado deste episódio. Kallás relembra como um país que tem uma longa trajetória na vacinação, com uma aceitação das vacinas por grande parte dos brasileiros, teve de lidar com resistência durante um momento tão sensível: a pandemia do novo coronavírus. “O embate político colocou em dúvida a eficiência das vacinas contra uma nova pandemia”, disse na conversa com Gama. Além disso, o Brasil tem enfrentado desde 2016 uma queda histórica em suas coberturas vacinais, de acordo com o DataSUS. O diretor acredita que é possível reverter essa queda, e que o Programa Nacional de Imunização, um dos maiores do mundo e que conta com a participação direta do Butantan, seguirá forte. Do contrário, se não recuperarmos essa queda, doenças que já estavam erradicadas no país, como o sarampo e a poliomielite, que causam sequelas no desenvolvimento especialmente das crianças e também a morte, podem voltar a assombrar o país e o mundo.
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Oct 15, 2023 • 29min

Jéssika de Oliveira: "O Clube de Leitura Preta potencializou a autoestima dos alunos"

Faz um ano que a professora e escritora Jéssika de Oliveira resolveu criar um clube de leitura na escola onde trabalha, o Colégio Estadual Doutor Milton Santos, uma instituição de ensino quilombola localizada no município de Jequié, a 365 quilômetros de Salvador, na Bahia. A cidade está no topo do ranking das mais violentas do país e o clube de leitura seria uma forma de fazer com que crianças e adolescentes mergulhassem na literatura, se interessassem mais pela escola e assim não aumentassem o índice de evasão escolar. A ideia da professora era a de que o clube seria também um lugar de combate ao racismo e de celebração da literatura negra, uma vez que os livros escolhidos para leitura e discussão são todos escritos por autores negros. Com um ano de funcionamento, o Clube de Leitura Preta é uma atividade extracurricular (que não garante ponto no boletim), mas que é frequentado assiduamente por 26 meninas e meninos com idade de 13 a 16 anos, três vezes por semana. Entre os autores, eles lêem Conceição Evaristo e Bianca Santana e discutem sobre o racismo e a violência vivida por pessoas negras no país. Entre as coisas mais bonitas que a professora contou em entrevista a Gama está o fato de os jovens passarem a se ver diferentes, mais empoderados e com a autoestima fortalecida depois das leituras e conversas. Segundo ela, antes do clube, muitos deles nem se consideravam pessoas negras, mas "morenas" ou "jambo". “Esses meninos têm várias questões de saúde mental. Quando a gente ia tirar uma foto, os meninos botavam a mão no rosto, escondendo o nariz, a boca. Um ano depois, essas fotos estão normais, eles estão sorrindo, mostrando os dentes, o nariz, o olho. Isso tem a ver com a reconstrução da autoestima. Hoje sabem que não precisam esconder os traços. E é uma das coisas que o clube tem potencializado é a autoestima desses meninos e dessas meninas”, conta.
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Oct 8, 2023 • 30min

Alexandre Rossi: "O luto vai além do animal. Você questiona a vida como um todo"

Como uma pessoa pode sofrer tanto por um animal? Essa pergunta passa pela cabeça de muita gente que não tem um pet e vê um amigo perder seu bichinho de estimação. Mas esse é um luto real e difícil, como atesta Alexandre Rossi, veterinário e especialista em comportamento animal, que é o convidado da edição sobre Pets do Podcast da Semana. “O luto vai além do animal. Você questiona a vida como um todo, as relações como um todo, o que você perdeu e o que vai perder”, afirma na entrevista. Desde 2009, Rossi era tutor de Estopinha, a primeira influenciadora pet do país. A cadela morreu em setembro, aos 14 anos, depois de complicações que começaram com uma infecção na unha. Durante o período que passaram juntos, os dois foram também uma dupla de trabalho. Depois de ser devolvida por duas famílias que a consideravam muito bagunceira, o especialista pensou que a cachorrinha seria um bom exemplo para mostrar ao público como lidar com cães agitados. Juntos, os dois estrelaram programas de TV e mais recentemente Rossi apresenta um quadro sobre pets no programa "Encontro com Patrícia Poeta". Quando Estopinha ficou doente, Alexandre Rossi anunciou sua condição publicamente e disse que se preparava para o luto. Quando ela morreu, ele anunciou que estava “devastado”. Ao Podcast da Semana, ele conta sobre o luto que está vivendo, como vem se cuidando e como ter perdido a Estopinha tem ensinado a ele sobre outros tipos de luto e até sobre a própria existência. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
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Oct 1, 2023 • 31min

Claudia Assef: “O mercado da música é muito desigual para cantoras e outras profissionais”

É verdade que quando a gente pensa em música brasileira hoje nos vem muitas mulheres à cabeça. Mas esse número ainda é pequeno. Não apenas na frente do palco, como nos bastidores também. No ano de 2021, mulheres receberam 9% do total distribuído em direitos autorais. Esse dado vem do relatório Por Elas Que Fazem a Música, lançado em 2022, com base em dados da UBC (União Brasileira dos Compositores). A prova da baixa participação delas nesse mercado. Foi sabendo disso e com a proposta de ter mais mulheres no mercado musical, que a jornalista Claudia Assef e a curadora Monique Dardenne, lançaram, em 2017, o Women's Music Event, o WME, uma plataforma de música e negócios dedicada ao protagonismo feminino. Assef é jornalista, escritora, DJ, autora do livro "Todo Dj já sambou" (Conrad, 2008), e criadora desse evento que reúne debates, shows, premiações e muita música, claro. Em dezembro deste ano, o WME Awards vai premiar artistas e profissionais mulheres da áreas, e também homenagear duas gigantes da nossa história musical: Rita Lee e Dona Onette. Vai também relembrar gravadoras, festivais, plataformas de streaming, marcas e a mídia do espaço que elas ocupam, e ainda falta ocupar, nesse mercado.  Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic No link abaixo e também noDeezer,Spotify,Apple Podcast,Google Podcastvocê escuta este episódio.
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Sep 24, 2023 • 31min

Mirian Goldenberg: "As pessoas acham que a velhice é uma morte"

Pesquisadora da velhice há 30 anos, a antropóloga Mirian Goldenberg tornou-se uma ativista contra a violência e a discriminação do velho e pelo que chama de "bela velhice", que é uma forma de viver essa fase da vida com autonomia. "As pessoas acham que a velhice é uma morte", ela diz, mas rebate afirmando que são seus amigos nonagenários os que mais aproveitam e olham a vida com os olhos certos. "São os velhos que saboreiam a vida a cada dia", afirma na entrevista do Podcast da Semana. Com mais de 30 livros publicados — entre eles "A Invenção de uma Bela Velhice" (Record, 2020) e "A Arte de Gozar" (2023) —, a professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro virou referência nos estudos dessa área, com uma atuação forte nas redes sociais. "Publico um textão por dia no Instagram sobre esse tema", diz. Ela diz que o Brasil é um país muito fértil para o etarismo, mas que uma luz se acendeu com a reforma da Previdência. "As pessoas entenderam que elas também ficarão velhas", afirma. Nesse tempo de pesquisa, entendeu que envelhecer leva a vulnerabilidades e a diferentes sofrimentos. "Inclusive, homens e mulheres têm sofrimentos diferentes ao envelhecer. O homem sofre com a aposentadoria; a mulher, com as mudanças no corpo", afirma. Mas diz que é preciso ter coragem para gozar a vida e explica que o gozo da maturidade está em diversas atividades, não como em um projeto de vida, mas em pequenos propósitos diários. "Não existe velhice no singular", afirma. Ao Podcast da Semana, Goldenberg falou sobre o sexo nessa fase, como fazer para ter mais autonomia e as perdas que as pessoas de mais idade tiveram na pandemia, muitas delas, irreparáveis. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
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Sep 17, 2023 • 33min

Felipe Vassão: "A música pop vai ser engolida pela IA, mas o artista pop é mais que a música"

O que a inteligência artificial pode fazer com a música? O produtor musical Felipe Vassão afirma que muita coisa. Já está fazendo, como deixando o processo de mixagem mais fácil. “Ainda vamos ver coisas incríveis, sonoramente absurdas. As pessoas vão começar a expandir essas tecnologias para servir às ideias dela”, afirma Vassão, que é o convidado da edição sobre inteligência artificial do Podcast da Semana. Há 30 anos na produção musical, Vassão é hoje sócio da Santé, uma agência de música que conecta artistas musicais ao mundo da publicidade, e tem no portfólio trabalhos como a produção do álbum “Amarelo”, de Emicida, pelo qual ganhou um Grammy. Ficou muito conhecido também pelos vídeos que faz no Instagram e no Tik Tok e em que explica elementos da produção musical, aponta referências em samples, conta histórias suculentas da indústria fonográfica, entre outros. Ele acredita que há sim um tipo de música que vai ser mais atingido pelas máquinas, as trilhas sonoras e a música pop. Mas o artista não será, ele diz: "O artista pop é muito mais que a música, ele é uma persona, uma figura, tem desdobramentos. A música pop, em si, vai ser engolida por isso, mas a cultura pop, o culto à personalidade, não tem como." Vassão não ignora questões espinhosas como a dos direitos autorais, por exemplo. Sobre isso, acha que uma saída pode ser a cobrança pelo que é usado para a fase de “machine learning”, ou seja, as músicas que são usadas como referência para que a máquina passe a criar. Ao Podcast da Semana, Vassão falou sobre tudo isso e sobre como o uso de computador para fazer música não é nada novo e sobre a possibilidade de uma greve de músicos, como já acontece no audiovisual dos Estados Unidos. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

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