

O Assunto
G1
Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.
O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist 'This Is O Assunto'. Ouça agora no Spotify:
https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DXdFHK4Zrimdk
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Mentioned books

Nov 17, 2022 • 24min
O Brasil de volta à agenda climática
Desde que o país recusou sediar a COP-25 – uma das primeiras decisões do então presidente-eleito Jair Bolsonaro (PL, então no PSL) – a política climática brasileira foi rebaixada à posição de pária global. Durante os últimos quatro anos, a Amazônia registrou recordes de desmatamento e o Brasil se tornou o quinto maior emissor de gases de efeito estufa. Nesta quarta-feira, o “discurso contundente” do presidente-eleito Lula (PT) na 27ª Conferência do Clima atraiu os olhos de “observadores e negociadores de todo o mundo”. É o que testemunhou, diretamente de Sharm El Sheikh, no Egito, a administradora pública especialista em mudanças climáticas Natalie Unterstell. Em entrevista a Julia Duailibi, ela, que é também presidente do Instituto Talanoa, relata a expectativa dos representantes em relação à volta do país aos compromissos climáticos. “Há esperança, mas também cobrança”, diz. Na agenda política interna, Lula sinalizou a necessidade de “fortalecer alianças” com estados e municípios para avançar em direção a uma “economia descarbonizada”. Para os agentes internacionais, avalia Natalie, foram bem recebidos o compromisso de zerar o desmatamento de todos os biomas até 2030 e a “tímida” pressão sobre os países desenvolvidos para “cumprirem os acordos que podem conter a crise climática”.

Nov 16, 2022 • 21min
A mais nova onda de Covid
Foram meses de relaxamento de medidas de proteção, com índices de transmissão e de novos casos em baixa. O alerta voltou a soar no início de novembro, com o aumento exponencial na busca por exames em laboratórios e farmácias. Na sequência, veio a alta na média móvel de casos, puxada pela subvariante BQ.1, da ômicron. “Estamos vendo apenas a pontinha do iceberg”, avalia a infectologista Rosana Richtmann em conversa com Julia Duailibi. Para ela, o número real de casos é muito maior do que o registrado. “É importante que as pessoas se testem e tomem o cuidado para não expor os outros”, lembra. Ela explica que a BQ.1 tem transmissibilidade maior, ainda sem indicar maior gravidade. E argumenta o caminho para frear novas variantes: a adoção de vacinas atualizadas. “Mais uma vez estamos atrasados” na aquisição desses imunizantes, diz. Rosana reforça ainda situações em que é essencial voltar a usar máscaras: no transporte público, dentro de farmácias, em unidades de saúde e para todos os imunossuprimidos.

Nov 14, 2022 • 2min
Renata Lo Prete se despede de O Assunto
Podcast diário do g1 será apresentado por Natuza Nery a partir do dia 21 de novembro. No comando do podcast por mais de 3 anos e 834 episódios, Renata gravou um agradecimento aos ouvintes e à equipe do g1. Nos próximos dias, O Assunto será apresentado por Julia Duailibi.

Nov 11, 2022 • 21min
EUA: saldo da eleição de meio de mandato
Por uma combinação de fatores econômicos e políticos, muitos esperavam que as chamadas “midterms” produzissem uma “onda vermelha”. Traduzindo: que o Partido Republicano (representado por essa cor) desse uma surra no Partido Democrata (do presidente Joe Biden) no pleito para renovar toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado, além de cargos em Executivos estaduais. Ainda há muito a contabilizar dos votos depositados nas urnas nesta terça-feira, mas os resultados já conhecidos mostram uma realidade mais complexa. Os democratas perderam, sim, o controle da Câmara, porém o do Senado continua em aberto. E, do lado republicano, vários candidatos patrocinados pelo ex-presidente Donald Trump se deram mal. Neste episódio, o último de Renata Lo Prete no podcast, ela conversa com Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV-SP, para entender os recados dos eleitores americanos. “O clima piorou muito”, diz ele sobre o aumento da violência política no país. Stuenkel fala também da transformação do Partido Republicano “em uma agremiação populista com fortes tendências antidemocráticas”. E, apesar dos percalços de Trump, ainda aposta nele como mais provável adversário de Biden em 2024.

Nov 10, 2022 • 28min
A obra de Gal Costa, por Gilberto Gil
Para refletir sobre a trajetória de uma das maiores cantoras da história da música brasileira, que morreu neste 9 de novembro aos 77 anos, O Assunto recebe um “doce bárbaro” como ela, parceiro desde o primeiro show, em 1964 em Salvador. Na conversa com Renata Lo Prete, Gil celebra não apenas a voz única, mas também a capacidade de eterna transformação dessa “tropicalista inata”, que em mais de 40 álbuns mergulhou em quase todos os gêneros de canção, colecionando sucessos como “Meu Nome é Gal”, “Baby”, “Força Estranha”, “Gabriela” e “Festa no Interior”. “Gosto daquelas onde há vivacidade, contrição religiosa, tristeza... e gosto ainda mais de suas canções alegres", confidencia ele. Ao longo do episódio, Gil resgata desde sua memória mais antiga de Gal (em uma lanchonete na capital baiana) até lembranças da turnê que fizeram juntos em 2018. “Ela tinha compreensão profunda da extraordinária primazia que o som e as artes produzidas através dele têm", afirma.

Nov 9, 2022 • 23min
COP-27: o que esperar da cúpula do clima
Eventos extremos cada vez mais frequentes, em um planeta que não para de esquentar. No intervalo de um ano desde a última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, assistimos às inundações que mataram milhares de pessoas no Paquistão, à seca recorde na Europa e a chuvas devastadoras na costa brasileira, entre outros desastres. Acordos para mitigar os danos e fazer as adaptações existem, mas o mundo tem imensa dificuldade em tirá-los do papel. Agora, na COP-27, que se desenrola até 18 de novembro no Egito, “o momento é de implementação de tudo o que foi prometido”, acredita Ana Toni, ex-presidente do conselho do Greenpeace Internacional e diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade. Neste episódio, ela conversa com Renata Lo Prete diretamente do balneário de Sharm el-Sheikh, na costa do Mar Vermelho, onde acontece o encontro. Para a economista, a discussão sobre quem pagará a conta da emergência climática está vencida. A questão é exigir dos países ricos que os recursos já combinados cheguem às populações mais vulneráveis no fluxo necessário, e não mais “a conta-gotas”. Ana fala também da expectativa quanto à participação brasileira - Lula irá à COP na próxima semana. “Há sensação de esperança”, diz.

Nov 8, 2022 • 24min
Teto de gastos: o que virá depois dele
Meia década atrás, em resposta à escalada da dívida pública, o Brasil adotava uma nova âncora fiscal, que limita o crescimento da maior parte das despesas da União à inflação do ano anterior. De lá para cá, essa construção balançou e sofreu muitos remendos, diante de realidades como a pandemia e o vale-tudo da campanha pela reeleição. “Estamos no limite do teto há muito tempo”, afirma Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for Internacional Economics e professora da universidade Johns Hopkins. E os seguidos truques para burlá-lo acabam por “minar sua credibilidade”. Na conversa com Renata Lo Prete, a economista credita parte do problema ao “desenho” definido no governo Temer, rígido demais e sem “válvulas de escape” para usar quando a situação do país exigir. Para ela, a largada de um novo governo “abre boa oportunidade” para que se estabeleça uma regra fiscal melhor, não sem antes atender ao imperativo de “reconstruir a base dos programas sociais”.

Nov 7, 2022 • 29min
A cara da direita no pós-eleição
No primeiro pronunciamento depois da derrota nas urnas, Jair Bolsonaro festejou seu mandato como o período no qual “a direita surgiu de verdade em nosso país”. Ex-ministros e outros colaboradores do presidente se deram bem em disputas por governos estaduais e vagas no Legislativo federal, movimento paralelo ao do avanço do Centrão. A despeito do estímulo ao golpismo e de outras potenciais encrencas com a Justiça, "Bolsonaro está muito bem posicionado” para liderar esse campo político no qual “a extrema-direita hegemonizou a direita”, afirma o filósofo Marcos Nobre, presidente do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). E conta, para isso, com o “partido digital” que o promove e destrói adversários desde 2018. Na conversa com Renata Lo Prete, o autor de “Limites da Democracia” explica de que maneira esse quadro impacta o governo eleito. Para Nobre, a estabilidade política dependerá não apenas da capacidade de Lula de entregar alguma prosperidade e ampliar a coalizão para muito além do PT. “É fundamental também que surja no país uma direita democrática”, capaz de concorrer com os bolsonaristas.

Nov 4, 2022 • 26min
Bolsonaro na trilha de Donald Trump
Ambos passaram os respectivos mandatos lançando descrédito sobre o sistema eleitoral pelo qual chegaram ao poder. Derrotado na tentativa de obter o segundo mandato, o americano investiu meses na contestação do resultado, até insuflar a invasão ao Congresso em 6 de janeiro de 2021. Por aqui, a apuração rápida e segura, encerrada na noite do próprio domingo, inviabilizou qualquer questionamento à Justiça Eleitoral, a despeito das ameaças prévias do presidente. E este então se recolheu num silêncio de dois dias que foi a senha para os bloqueios ilegais em rodovias. Na comparação com os Estados Unidos, o Brasil padece de duas desvantagens, avalia Guilherme Casarões, professor da FGV-SP e coordenador do Observatório da Extrema-Direita. Primeiro, “um ímpeto golpista mais presente”. Depois, a opacidade das Forças Armadas, que se associaram ao atual governo e jamais manifestaram de forma inequívoca seu compromisso com a ordem constitucional. O cientista político chama a atenção para a ambiguidade das falas de Bolsonaro - que orientou os manifestantes a sair das estradas na mesma mensagem em que voltou a estimular outros atos de cunho golpista. Segundo Casarões, o presidente derrotado “vive um dilema”: quer manter seus radicais motivados e, ao mesmo tempo, não se inviabilizar como líder da oposição ao futuro governo petista.

Nov 3, 2022 • 34min
PT: a história e os desafios à frente
Fundado em 1980, na esteira de uma greve de metalúrgicos que deu projeção nacional a sua principal liderança, o Partido dos Trabalhadores chegou à Presidência da República 22 anos depois e lá ficou por dois mandatos de Lula e “um e meio” de Dilma Rousseff - alvo de impeachment em 2016. A partir daí, o partido atravessou um longo deserto até receber das urnas, no último dia 30, a missão de voltar ao Palácio do Planalto e “reorganizar a democracia”, em processo muito semelhante ao levado a cabo por Ulysses Guimarães e o PMDB ao final da ditadura, avalia Celso Rocha de Barros, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Autor do livro recém-lançado “PT, uma história”, o sociólogo avalia que se trata do “último grande partido ainda de pé” no país. Para ele, neste terceiro mandato de Lula é possível que a militância passe por uma “crise de identidade”, a partir da necessidade de fazer alianças mais ao centro - com personagens como Simone Tebet (MDB) e Eduardo Paes (PSD). Ele explica como a transição Bolsonaro-Lula pode definir a política econômica na largada do novo governo. “Quando Lula assumiu em 2003, sabia que não tinha ninguém pronto para dar golpe, o que lhe permitiu tomar medidas impopulares na economia”, lembra. E conclui falando sobre o desafio de lidar com Bolsonaro. “Essa é a grande questão da política brasileira”: com o futuro ex-presidente liderando a oposição será preciso “se preparar para uma década de instabilidade”.


