O Assunto

G1
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Dec 27, 2022 • 32min

REPRISE - Vida e obra de Elza Soares, por Ruy Castro

Neste episódio especial, reprisado nesta terça-feira, 23 de dezembro, O Assunto faz uma homenagem a uma de nossas maiores cantoras. Jornalista e escritor, profundo estudioso da música brasileira, Ruy Castro conduz o ouvinte por marcos da trajetória de Elza, que morreu em janeiro aos 91 anos: da estreia no programa de rádio de Ary Barroso, em 1953, à colaboração com jovens compositores em anos recentes, passando pela histórica gravação de “Língua”, de Caetano Veloso, que a resgatou de um período de ostracismo na década de 80. Biógrafo de Garrincha, com quem Elza viveu longo e conturbado casamento, Ruy a entrevistou dezenas de vezes para a feitura do livro, colhendo em primeira mão relatos das adversidades enfrentadas desde a infância de menina negra na favela até a luta, em vão, contra o alcoolismo do jogador. Neste episódio: - Ruy Castro recorda detalhes de toda a carreira de Elza, iniciada em um contexto de efervescência da música brasileira e cujo álbum de estreia (lançado em 1959) já a alçou à condição de “artista de grande popularidade e um grande estouro comercial”; - Como a cantora conseguiu atravessar o período no qual as gravadoras reduziram o investimento em artistas de samba. Gênero, analisa Ruy, que marcou o que ele considera a melhor fase da carreira de Elza, até o início dos anos 1970: “Não teve pra mais ninguém”; - Descrita por Ruy como “muito corajosa”, Elza realmente “cantou até o fim”, conforme letra da canção destacada no obituário do jornal americano “The New York Times”. O jornalista recorda como ela por diversas vezes conseguiu se reinventar como artista: “É uma coisa espantosa que tenha ‘recomeçado’ a carreira aos quase 80"; - Biógrafo daquele a quem Elza descreve como “o grande amor de sua vida”, Ruy Castro conta episódios da relação entre a cantora e o jogador de futebol – inclusive durante os períodos de dependência química de Garrincha.
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Dec 26, 2022 • 39min

REPRISE - Os 50 anos do 'Clube da Esquina'

O encontro das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Belo Horizonte, reuniu talentos excepcionais, como os irmãos Lô e Marcio Borges, os músicos Ronaldo Bastos e Fernando Brandt. Todos guiados “pela inquietação e pela genialidade” de sua figura maior, Milton Nascimento. Quem relembra é o jornalista e antropólogo Paulo Thiago de Mello, autor de um livro sobre o Clube da Esquina e seu principal fruto: o disco homônimo lançado em março de 1972, divisor de águas na história da música brasileira. Um álbum duplo de sonoridade sofisticada e caráter sinfônico, no qual se mesclam influências que vão das raízes mineiras aos Beatles. Nesta segunda-feira, 26 de dezembro, O Assunto reprisa a homenagem ao disco. Neste episódio, Paulo Thiago resgata o contexto histórico em que vieram à luz canções como “Cais”, “Trem Azul”, “Um Gosto de Sol” e “Nada Será Como Antes”: - A história começa na década de 1960 quando Bituca (apelido de Milton Nascimento) se muda para o prédio onde mora a família Borges. Baseados na “forte relação de amizade” e inspirados pelo cinema francês, pelas músicas dos Beatles e pelo movimento tropicalista, eles começam a fazer música; - Paulo Thiago narra o encontro musical entre o jovem Lô Borges e o então celebrado Milton Nascimento – que àquela altura já assumira a liderança artística do grupo. E descreve como, a partir daí, se construíram as “letras misteriosas” e as “harmonias sofisticadas” das canções do álbum; - Chamado a comparar “Clube da Esquina” a outros discos seminais que saíram naquele ano (como “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos), Paulo Thiago afirma que Milton e seus amigos levaram “o interior para a beira do mar": “A revolução deles foi musical”; - Para o antropólogo, o grupo reflete “a angústia e a asfixia” da pior fase da ditadura militar. Sinal disso, diz ele, é a presença de estrada em quase todas as letras, como um “portal para um universo que está no interior, e que só quem bota a mochila nas costas poderá encontrar".
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Dec 23, 2022 • 36min

REPRISE - Notícias de Kiev, por Gabriel Chaim

A guerra russa na Ucrânia atravessou 2022 e completa 10 meses neste sábado (24). Na atual fase da batalha, o aliado maior de Putin é o inverno. Tropas russas atacam instalações de energia ucranianas, cortando a luz e o aquecimento, itens essenciais para a sobrevivência da população do país invadido. Nesta sexta-feira, 23, O Assunto reprisa o episódio originalmente publicado no dia 3 de março, quando o jornalista Gabriel Chaim relatou, direto da capital Kiev, a situação na cidade cercada e os limites da resistência da população local: - O momento “é crítico”, disse Gabriel, referindo-se ao cerco à capital e aos limites da resistência da população. “Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã”; - Ele descreveu a confusão e o desespero de quem tentava ir embora e as estratégias de sobrevivência de quem optou por ficar ou simplesmente se resignou à ideia de não deixar a cidade; - Na principal estação ferroviária, milhares de pessoas que não sabem “qual será o próximo trem e para onde ele vai”. Em residências semidestruídas pelos bombardeios, “principalmente idosos, com menos mobilidade e menos recursos” para fugir; - Experiente em coberturas de guerra, o jornalista compara o conflito ucraniano à situação da Síria e da disputa territorial de Armênia e Azerbaijão: “uma das maiores catástrofes de nossos tempos”.
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Dec 22, 2022 • 25min

REPRISE – Urna eletrônica, uma história de inclusão

Marco da revolução do processo eleitoral brasileiro, ela estreou em 1996. Desde então, a abstenção caiu e os índices de votos inválidos despencaram de 40% para cerca de 7%. Questionada por Jair Bolsonaro durante todo o processo eleitoral deste 2022, nenhum caso de fraude foi identificado desde que ela foi implementada. Nesta quinta-feira, 22 de dezembro, O Assunto reprisa o episódio originalmente publicado no dia 1º de agosto, com o cientista político Marcus André Melo: - Marcus André destaca momentos-chave da trajetória do voto no Brasil, como a introdução do sufrágio secreto (1932) e a adoção da cédula oficial (1955); - Lista termos reveladores da profusão de fraudes no Império e na República Velha, como “fósforos” (eleitores fantasmas) e “chapa de caixão” (cédula falsa); - Descreve o papel do voto obrigatório, ainda durante a ditadura militar, como um elemento para legitimar o processo eleitoral brasileiro – embora tenha rendido ao país o recorde de votos inválidos; - Explica por que o equipamento eletrônico foi um marco no “encorajamento à participação” dos eleitores menos instruídos e “deu concretude” ao direito universal ao voto.
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Dec 21, 2022 • 18min

Mega da Virada: as chances (reais) de ganhar

Às 20 horas do dia 31 de dezembro vai ser sorteado o maior prêmio da história das loterias no Brasil. Quem acertar as seis dezenas da Mega da Virada pode levar para casa cerca de R$ 450 milhões - e, caso ninguém crave todos os números, o valor será dividido entre quem acertar a quina. Mas quais as chances reais de vencer? Neste episódio, Natuza Nery tira todas as dúvidas sobre a mais famosa loteria do país com o matemático Diego Marques, professor da Universidade de Brasília: - Diego explica a probabilidade de acerto das seis dezenas sorteadas com um jogo simples: “50 vezes mais difícil do que ser atingido por um raio; - O matemático fala sobre que estratégias aumentam as chances de levar o prêmio - se marcar mais dezenas por jogo ou fazer mais apostas diferentes; - Ele analisa a efetividade de entrar em um bolão - e conta suas experiências em apostas coletivas, sob a perspectiva da matemática; - Diego revela quantos anos são necessários, do ponto de vista estatístico, para que uma combinação simples seja sorteada. Mas pondera: “Se não jogar, a chance é zero”.
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Dec 20, 2022 • 31min

O fim do Orçamento Secreto

Por 6 votos a 5, o colegiado do STF determinou a inconstitucionalidade das emendas de relator. Também no Supremo, o ministro Gilmar Mendes determinou que é permitido abrir créditos extraordinários para garantir o pagamento dos R$ 600 por beneficiário do Bolsa Família no ano que vem. Duas decisões que fortalecem o poder de Lula (PT) nas negociações com o Congresso. Para explicar o impacto da entrada da Suprema Corte no debate do Orçamento de 2023, Natuza Nery conversa com o jornalista Paulo Celso Pereira, editor executivo dos jornais O Globo e Extra. Neste episódio: - Paulo Celso diz por que, agora, o presidente eleito se torna “menos dependente” de Arthur Lira (PL) para dar início a seu governo em condições de honrar as promessas de campanha; - Analisa a diferença de ambiente que Lula enfrenta no Senado e na Câmara, e sua dificuldade em viabilizar a aprovação da PEC da Transição ao mesmo tempo que tenta construir base parlamentar; - Avalia a possibilidade “praticamente consolidada” da reeleição do presidente da Câmara, embora sem o mesmo capital político com o qual “emparedou” o Executivo nos últimos dois anos; - E projeta quais serão os mecanismos que Lula lançará mão para propor uma nova relação com o Congresso, que o receberá de modo “muito mais hostil” dos que seus dois mandatos anteriores.
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Dec 19, 2022 • 26min

Primeira-dama: história e papel no Brasil

Nomenclatura reservada às mulheres de governantes eleitos, as primeiras-damas ganharam papel de destaque na vida pública brasileira a partir de Darcy Vargas, mulher de Getúlio. Casada com Lula, a socióloga Janja disse em entrevistas querer “ressignificar” essa função. Para entender como diferentes mulheres se valeram desse posto e suas ligações históricas com a assistência social, Natuza Nery recebe Dayanny Rodrigues, historiadora e doutora pela Universidade Federal de Goiás que estuda esse tema há uma década. Neste episódio: - Dayanny relembra como Darcy Vargas inaugurou a atuação pública atrelada à imagem do presidente, no período pós-2ª Guerra. E como esse papel nasceu ligado ao assistencialismo; - Explica o termo “primeiro-damismo”, um conjunto de práticas exercidas por mulheres de governantes, podendo ser estratégico (alinhado ao plano político) ou tático, quando a mulher consegue elaborar ações para além do papel do homem; - Avalia como recentemente Michele Bolsonaro e Janja tiveram papel político-eleitoral nas campanhas. E como Michele foi “convocada a falar para retratar falas” do atual presidente; - E conclui que ainda há um “engessamento” da figura social da mulher do presidente, desde o que vestir, até o que falar e como agir, em um processo considerado por ela “aprisionador”.
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Dec 16, 2022 • 23min

Estatuto do Nascituro e o direito ao aborto

Na reta final da atual legislatura, parlamentares bolsonaristas trabalham para ressuscitar o Projeto de Lei que criminaliza a realização de aborto em qualquer circunstância - inclusive nos casos de estupro, risco à vida da mãe e anencefalia, situações em que hoje a mulher tem garantido o direito de interromper a gravidez. Em reação, a oposição tenta barrar a proposta no Congresso. Para explicar em que pé está a tramitação do Estatuto do Nascituro, e quais seriam suas consequências, Natuza Nery recebe Gabriela Rondon, pesquisadora do Instituto de Bioética Anis e professora do Instituto de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, e Laura Molinari, coordenadora da campanha “Nem presa nem morta”. Neste episódio: - Gabriela descreve como o Projeto de Lei pretende criar uma “carta de direitos para embriões e fetos” que os equipare juridicamente às pessoas nascidas; - Ela rebate o que chama de “estratégia retórica insidiosa e cruel” dos grupos organizados que trabalham para a aprovação do estatuto; - Laura traça uma linha do tempo sobre a forma como o Congresso age para acelerar e para barrar o PL, que nasceu em 2005 e tramita desde 2007; - Ela destaca a oportunidade de, no processo de transição do governo federal, identificar “o tamanho do desmonte” das políticas públicas relativas aos direitos da mulher.
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Dec 15, 2022 • 15min

Fusão nuclear: o futuro da energia limpa

O anúncio inédito feito por cientistas do Departamento de Energia dos Estados Unidos pode ser o início de uma revolução para a produção de energia limpa. Pela primeira vez dentro de um laboratório, foi possível gerar energia a partir do processo de fusão nuclear - fenômeno que funde os núcleos de átomos de hidrogênio e que gera muito menos resíduo radioativo que a fissão nuclear. Para entender os desdobramentos desta conquista da ciência, Natuza Nery conversa com Marcelle Soares-Santos, professora de Física da Universidade de Michigan. Neste episódio: - A professora detalha a diferença entre as tecnologias da fusão e da fissão nuclear – e por que a fusão é tão mais complexa; - Descreve as “implicações estratégicas políticas e econômicas” que motivam governos e empresas a investirem pesado no desenvolvimento desta tecnologia; - Explica o experimento dos cientistas americanos e quais são as “condições extremas” - que replicam temperaturas equivalente à do interior do Sol; - Marcelle fala sobre os desafios para colocar a tecnologia em larga escala e conclui sobre os “benefícios potenciais” dela para o futuro da humanidade.
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Dec 14, 2022 • 25min

A delinquência bolsonarista em Brasília

A prisão preventiva de um indígena apoiador do presidente Jair Bolsonaro foi o estopim para que uma onda de atos violentos tomasse conta da capital federal. Os extremistas incendiaram ônibus, quebraram carros e vandalizaram o prédio da Polícia Federal – sem que qualquer criminoso tenha sido detido. Para classificar a violência da extrema direita que atenta contra a democracia e põe em risco a institucionalidade do país, Natuza Nery conversa com Conrado Hubner Mendes, doutor em Direito e Ciência Política e professor de Direito Constitucional na USP. Neste episódio: - O professor identifica e classifica quais crimes foram cometidos na noite da segunda-feira em Brasília - e indica quais artigos Bolsonaro e seus aliados podem responder; - Conrado explica a distinção entre os conceitos jurídico e político de terrorismo – e em quais contextos as ações dos grupos bolsonaristas são enquadrados na Lei do Estado Democrático de Direito; - Ele analisa o contexto no qual há um vácuo de poder entre o futuro presidente - eleito e diplomado - e a atual gestão, dedicada apenas à construção de “acordos” para evitar prisões; - E avalia o risco da omissão dos órgãos de segurança pública diante dos delitos cometidos em série no DF.

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