Aura por Lucas Abreu

Lucas Abreu
undefined
Apr 15, 2025 • 1h 14min

Atrás do Retorno com Julio Vasconcellos e Victor Ramos

Julio Vasconcellos e Victor Ramos são investidores no Atlantico, um dos principais fundos de Venture Capital da LatAm. A dupla criou o meu podcast preferido dos últimos 6 meses: o "Atrás do Retorno", no qual entrevistaram 12 dos maiores investidores brasileiros, desde lendas do Private Equity como Martin Escobari até figuras emblemáticas como o cofundador do Instagram, Mike Krieger.Fui para o Rio de Janeiro explorar as lições fundamentais extraídas das 12 entrevistas, e como esses aprendizados influenciam suas próprias decisões de investimento no Atlântico.Escute no Spotify, Apple Podcasts ou Youtube.Este episódio só é possível graças aos nossos parceiros:* Onfly: A plataforma ideal para gerenciar viagens corporativas. (https://www.onfly.com.br/)* Salvy: A operadora que está revolucionando a telefonia para empresas. (https://www.salvy.com.br/startups)Insights1. A Visão 360° é mais importante que a análise isoladaPara Júlio, o maior aprendizado foi sobre a importância da visão holística: "Os melhores investidores têm uma capacidade muito boa de dar dez passos para trás e ver aquela situação, aquele empresário, aquela empresa, dentro de um contexto setorial e histórico". Isso contradiz a percepção comum de que investir é principalmente um exercício de modelagem e análise de setor específico. É mais arte, do que ciência. A visão ampla permite identificar padrões além dos dados imediatos, com vários entrevistados do podcast demonstrando interessante correlação entre excelência em investimentos e apreço por arte, música e literatura2. Lidando com a complexidade: síntese supera análiseA pergunta que eu estava mais interessado era entender como grandes investidores lidam com a complexidade do mundo.A resposta veio na prática interna do Atlântico. Há dois rituais:* Resumir a tese de investimento em uma página.* Construção do memo no qual a narrativa está em torno do “What we have to believe”, no qual poucas hipóteses são as mais importantes para o sucesso ou fracasso do investimento.3. Macro versus Micro: Decisões no Longo PrazoPraticamente todos os investidores entrevistados compartilharam a visão unânime de que o cenário macroeconômico tem impacto limitado no sucesso de seus investimentos de longo prazo. Florian Bartunek, Fersen Lambranho e outros grandes investidores convergiram neste ponto: embora o macro influencie prazos mais curtos, é o micro que determina o sucesso duradouro."O micro sempre ganha do macro", resume Júlio, observando que mesmo em tempos de instabilidade econômica, empresas excepcionais continuam prosperando.Isso contrapõe a preocupação obsessiva com fatores macroeconômicos que permeia muitas discussões sobre investimentos no Brasil. "A gente no dia a dia, na discussão do dia a dia, na leitura do dia a dia, a gente coloca muito peso no macro, na política. Mas quando você tem um horizonte de longo prazo, essas mudanças de seis meses, ou até de poucos anos, acabam desaparecendo."Até por isso que grandes empresas (e startups) são formadas em períodos turbulentos. O macro pode até afetar seu valuation e a liquidez do mercado, mas o seu produto, time e mercado é o que dita o seu destino. Macro é um bug, mas pode ser uma feature, afinal, volatilidade traz oportunidades e melhores preços para investir em empresas ou mercados de altíssima qualidade. 4. Intuição informada: um ativo subestimadoMartín Escobari, da General Atlantic, trouxe uma perspectiva que me fez pensar muito sobre a tomada de decisões baseada em "intuição informada", no qual a sua experiência passada com a pessoa, empresa, mercado, modelo de negócio te oferece informações “irracionais” de altíssimo valor para tomada de decisão. Por exemplo, é muito mais fácil ter intuição sobre pessoas que você conhece há anos versus aquelas que acabou de conhecer.No mesmo assunto de intuição, Andy Rachleff, citado por Júlio, afirmava que "nunca fiz um investimento que deu muito certo que eu não sabia nos primeiros 30 segundos."Essa intuição, contudo, não é mística, mas resultado de experiência acumulada. Júlio distingue: "A intuição sobre um tema ou situação que você não tem muita experiência, você deveria pesar menos. Se é sobre algo que você já viu muitas vezes, eu acho que deveria pesar mais, porque a intuição nada menos é do que um resumo do seu cérebro de um volume de informação infinito."5. Documentando erros: a cultura do aprendizadoNo episódio com Paulo Passoni, ele menciona uma prática particularmente impressionante: sempre que cometia um erro, documentava e enviava por e-mail para toda sua firma de investimento. Essa cultura de transparência sobre falhas emergiu como tema recorrente entre os grandes investidores."Todo mundo falou da naturalidade do erro, de que é comum você errar", observa Júlio. "Quase todos os entrevistados tinham aquela perspectiva de crescimento pessoal, aquele growth mindset... você sempre vê em toda oportunidade, inclusive nos grandes erros e fracassos, uma oportunidade de aprender e crescer." 6. O perigo do viés: o caso da NaturaEm um dos episódios mais impactantes, Luiz Orenstein da Dynamo compartilhou como o investimento de décadas na Natura criou um "apego" que dificultou enxergar sinais de alerta quando a empresa começou a enfrentar problemas. Esse viés congnitivo é particularmente crítico em venture capital, onde se tende a "torcer" muito pelo fundador ou pela tese.No Atlântico, eles combatem esse risco com processos estruturados: "A gente tem uma reunião periódica para revisitar as nossas decisões de investimento... e ali a gente tem uma estrutura comum para discussão e um dos temas que a gente tem é exatamente uma lista de viéses pessoais do time, positivos e negativos", explica Victor. Tornar explícitos os viéses diminui sua influência inconsciente.7. Falseabilidade: testando a robustez das tesesUma das técnicas mais poderosas importadas pelo Atlântico é o processo de "falseabilidade" da Dynamo Investimentos: "A ideia é que o analista que está defendendo e liberando aquela análise é responsável por construir o case. E o papel de todos os outros é tentar falsificar as premissas daquilo", explica Victor.Em vez de buscar confirmação, o time deliberadamente testa por que uma tese não funcionaria, garantindo que todos sejam incentivados a questionar e contestar as premissas. "Nesse processo, naturalmente, ou você identifica falhas ou você torna o teu racional muito mais robusto."8. O risco do "poder imperial"Luiz César Fernandes compartilhou uma lição valiosa sobre o chamado "poder imperial" - a tendência de líderes com grande concentração de poder pararem de escutar seus sócios ou equipe. Ele citou tanto sua própria experiência no Pactual quanto o caso recente da Americanas com Jorge Paulo Lemann, onde a concentração excessiva de decisões levou a falhas graves."Quando você tem um líder que talvez acredita demais na sua própria decisão, você tem um elemento ali quase que de arrogância e através disso você pára de escutar os seus sócios", observa Victor. Este risco é particularmente relevante para fundos e startups em crescimento, onde a dinâmica de poder precisa evoluir com a organização.9. Multidisciplinaridade: a chave para sociedades de sucessoA diversidade de perfis e habilidades emergiu como ingrediente crítico para sociedades bem-sucedidas. Victor cita o trio fundador do Pactual (Luiz César Fernandes, Paulo Guedes e André Jakurski): "Cada um deles tem uma personalidade muito diferente e agregando uma coisa essencial àquela sociedade inicial... O César como empreendedor e otimista, o Jakurski como gestor de risco, e o Paulo Guedes com a visão de longo prazo."Esse modelo de complementaridade, onde cada sócio traz um "superpoder" diferente, cria uma equipe cuja soma é maior que as partes individuais.10. Educando filhos: o poder do exemploEmbora o foco do podcast seja investimentos, Júlio frequentemente perguntava aos entrevistados sobre educação de filhos - um tema que revela muito sobre valores e princípios. A lição mais consistente que emergiu foi sobre a força do exemplo."A importância do exemplo é muito mais do que você faz, como você faz, os seus filhos verem você fazer aquilo. Isso sendo 1000 vezes mais importante do que o que você fala", reflete Júlio. "Se você quer criar filhos com ética, seus filhos vendo você tomar decisões difíceis que talvez não são as óbvias, que demonstram essa ética, é importante."O Equilíbrio entre Arte e CiênciaA expressão "a arte e a ciência de investir" serve como slogan do podcast, e essa dualidade permeia toda a conversa. É curioso a ênfase que os grandes investidores dão à arte ao invés da ciência.Essa observação reflete um padrão entre os entrevistados: os grandes investidores valorizam elementos aparentemente subjetivos - intuição, criatividade, pensamento multidisciplinar - tanto quanto, ou até mais que, análises quantitativas rigorosas.No mundo do venture capital, onde a assimetria de informação é inevitável e os métodos tradicionais de avaliação frequentemente falham, essa abordagem faz sentido. Como Júlio coloca: "Se você consegue encontrar de fato um produto ou serviço que encaixa com uma necessidade grande do mercado de uma forma muito única, o resto meio que se resolve."Obrigado Júlio e Victor pelo espaço. Recomendo ouvir o Atrás do Retorno. Capítulos: (0:00) Introdução e propósito do podcast (4:04) O maior aprendizado após 12 episódios (6:27) Dualidade entre complexidade e síntese (7:31) Como viés pode afetar decisões de investimento (11:14) Erros de omissão e a importância de revisitar decisões (15:05) Resumir uma tese de investimento em 1 página (17:07) Como identificar o fator-chave de sucesso (18:19) Macro versus micro na hora de investir (22:33) Filtrar o ruído no excesso de informação (26:01) Intuição como ferramenta decisiva (32:10) O que define um analista ou sócio excepcional (36:34) Os riscos da arrogância e do “poder imperial” (49:01) O que o podcast mudou no processo do Atlântico (51:08) Produzir conteúdo com profundidade e intenção (54:25) Como escolher o que não fazer (56:07) A decisão de criar o podcast e o impacto disso (59:11) O futuro do “Atrás do Retorno” This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Apr 13, 2025 • 39min

Niilismo Financeiro — o que está por trás do silencioso Zeitgeist da Geração Z?

E aí! Lucas Abreu aqui.Para este domingo, uma participação especial. O Thomaz é um jovem de 23 anos que desde a primeira interação me impressionou demais: inteligente, perspicaz e íntegro.Aos 23 anos, Thomaz articula com uma clareza o que ele chama de "Niilismo Financeiro" — um conceito que explica por que tantos jovens da Geração Z parecem ter abandonado os caminhos e valores tradicionais de construção de riqueza, carreira e vida. Alguns dados que vão te surpreender: imóveis custam 7,3x a renda anual (o maior índice da história), metade dos jovens ganham menos que seus pais na mesma idade, educação superior está 710% mais cara que há quatro décadas.Se você é líder, gestor, pai, mãe ou simplesmente alguém tentando entender por que essa geração parece operar sob regras completamente diferentes, este artigo é essencial. Não é um manifesto de vitimismo, mas uma análise lúcida que te fará mais empático e sábio. Espero que você goste o tanto quanto eu gostei.Fiz uma discussão em vídeo com o Thomaz sobre este artigo. Se preferir escutar ao invés de ler, acesse por aqui. Para mais, siga o Thomaz no LinkedIn e na sua newsletter. Assine o Sunday Drops abaixo e se junte aos mais de 10.000 empreendedores e investidoresEsta edição é apoiada pela Onfly. A Onfly é uma solução que está revolucionando a experiência de viagens corporativas e despesas, para as empresas e funcionários. Ela nasceu para atender pequenas e médias empresas, e agora também oferece o Onfly Corporate, uma solução personalizada para grandes contas, com atendimento dedicado e total personalização.O resultado? Mais controle, segurança, dados em tempo real e até 35% de economia nas viagens das empresas. Mais de 2.000 empresas confiam na Onfly. Saiba mais sobre como a Onfly pode ajudar sua empresa:Niilismo Financeiro — o que está por trás do silencioso Zeitgeist da Geração Z?"Uma verdade convencional pode ser importante – é essencial aprender matemática básica, mas isso não lhe dará uma vantagem. Não é um segredo.Então, quando você pensa sobre que tipo de empresa construir, há duas perguntas a fazer: Quais segredos a natureza não está lhe contando? Quais segredos as pessoas não estão lhe contando?"Peter ThielEste texto nasce de uma insatisfação.Como um Gen Z, percebo um silencioso espírito do tempo (o que alguns chamariam de zeitgeist) tomando conta da minha geração. É intangível e discreto, mas influencia como tomamos decisões, planejamos o futuro, nossas opiniões, apetite a risco, ambições.São poucas as pessoas que parecem enxergar esse movimento. Menos pessoas ainda já se preparam para antecipar as oportunidades que estão por vir.Justiça seja feita, esse não é um conhecimento trivial e de fácil acesso. Você dificilmente achará conteúdo sobre isso online, em aulas de faculdade, livros, ou em conversas cotidianas — afinal, este é um segredo.Aquele tipo que é imperceptível durante anos — mas, depois que te contam, se torna gritante e impossível de ignorar. Gera aquela pergunta “Era tão óbvio, como eu nunca percebi isso antes?”Esse segredo importa, porque é impossível construir o mundo em que você quer viver quando você sequer entende o mundo em que já está. E, para mim, já estamos vivendo esse segredo, apenas precisamos que alguém nos conte como chegamos até aqui.Você, com certeza, já viu matérias, podcasts, e até coaches tentando responder “como lidar com a Geração Z”. Normalmente, aliada a essa pergunta vem descrições como: impacientes, ansiosos, avessos ao trabalho duro, sempre em busca de um atalho.Isso não me irrita. De fato, lidamos com trabalho, dinheiro, relacionamentos, e ambições de maneira diferente de outras gerações. Não posso fazer nada sobre como as pessoas interpretam essa nova forma de lidar com o mundo.O que me incomoda, é a aceitação, sem qualquer inquietação, de definições rasas baseadas em uma enorme assimetria de pensamento — quando, na realidade, existe uma razão muito mais profunda para operarmos de forma tão diferente: a Geração Z está estrangulada.Se você faz parte dela, talvez se reconheça aqui:* Moradia consome mais da sua renda do que consumia dos seus pais ou avós;* Há 50% de chance que você ganha menos que seus pais quando tinham sua idade;* Educação superior de elite parece fora de alcance;* Você é mais pessimista e cético sobre o mundo do que seus pais ou avós;* Provavelmente você se casará mais tarde e terá menos amigos do que as gerações passadas.Isso não é vitimismo. É o status quo. Cada geração tem o seu. Este é o nosso.E então, o que você faz quando herda um mundo com desafios sem precedentes e com pouco sinal de melhora?Você procura alternativas — qualquer caminho que aumente suas chances de escapar dessa realidade sufocante.E aqui está a conclusão: as alternativas tradicionais para a mobilidade social estão quebradas.A Geração Z entendeu que empregos tradicionais — de colarinho branco, das nove às cinco — que permitiram aos nossos pais comprar uma casa, pagar educação e criar uma família, hoje mal nos permitem viver “from paycheck to paycheck”.Você com certeza já viu matérias sobre o boom das apostas esportivas, memecoins, prediction markets, mulheres jovens ganhando com OnlyFans mais dinheiro que diretores de empresas listadas, o fenômeno do WallStreetBets/GameStop, sonho dos jovens de ser influencer, founder em venture-track, micro SaaS, marketing digital, etc..Todos esses são apenas sintomas. O segredo não está aí.O segredo está na origem desses fenômenos — o desespero da Geração Z por alternativas que ofereçam retornos de 5:1, 10:1, 100:1. O que no mundo do Venture Capital chamariam de venture returns, mas aplicado à vida como um todo.Sim, eu concordo. Alguns caminhos acima são controversos. As pessoas fazem loucuras e toleram riscos questionáveis em busca de uma chance de mudar suas vidas. Tempos drásticos exigem medidas drásticas."De acordo com um novo estudo conduzido pela Qualtrics, 45% da Geração Z se consideram empreendedores digitais paralelos, definidos como pessoas que ganham renda adicional online, fora de seu trabalho principal. Isso inclui coisas como desenvolver conteúdo nas redes sociais, vender produtos no Etsy e Ebay, e crescer audiências pagas em plataformas como Substack e OnlyFans.Essa mudança em direção a ganhar renda online ocorre em um momento em que muitos jovens estão lutando para encontrar trabalho. De fato, mais de um terço (36%) da Geração Z diz que está lutando para encontrar um emprego corporativo, levando muitos candidatos endividados e altamente educados a compartilhar sua experiência nas redes sociais."Geração Z ganha seis dígitos como empreendedores digitais paralelos, novo estudo revela - Intuit Credit KarmaEntão, quando você ouvir “a Geração Z é impaciente” ou os “jovens não querem mais trabalhar duro" porque um garoto de 20 anos quer virar influenciador, founder, ou viver de escrever online, não é que ele está atrás de um atalho. Ele apenas está fazendo conta.Matemática 1: moradia mais distante do que nuncaO gráfico a seguir mostra o preço de imóveis versus a mediana de renda das famílias nos EUA ao longo do tempo.Pense nisso como "Se uma família média alocasse 100% da renda anual para comprar um imóvel, quanto tempo ela demorariam para comprar o imóvel?”* Baby Boomers aos 25 anos: imóveis custavam 4x - 4,6x sua renda anual;* Antigos Gen X (nascidos entre 1965 - 1975): mesmo cenário.* Já os mais jovens da Geração X (nascidos entre 1975 - 1980) e os primeiros Millennials pegaram a bolha imobiliária de 2008. Isso fez com que os preços atingissem 6.8x da renda anual média, a pior condição da história até aquele momento.* Apesar dos mid e late Millennials terem completado 25 anos em condições melhores que a parcela mais antiga de sua geração, toda a geração de Millennials, do mais antigo ao mais novo, viveram com imóveis custando +5x da renda anual média.A última vez que isso tinha acontecido foi durante a Segunda Guerra Mundial.Então, o COVID acontece, o Fed imprime trilhões de dólares, o Gen Z mais velho completa 25 anos em 2022 e os imóveis disparam para 6,5x — 7x renda anual. O dado mais recente é de Dezembro/2024: 7,3x — o mais alto que se há registro na história.Você consegue adivinhar o que acontece com a de % de jovens que moram com os pais e a mediana de idade de first-time homebuyers ao longo do tempo?Não acho que seja preciso induzir alguma reflexão. Você já pegou o ponto.Matemática 2: tire do emergente e dê ao incumbenteDe 1989 a 2023, a riqueza das famílias americanas aumentou 7x — $20 trilhões para $143 trilhões.Os beneficiados foram os ricos e as gerações mais antigas.Enquanto pessoas com mais de 70 anos aumentaram seu share da riqueza em ~60%, gerações mais jovens perderam 40%.Sob uma perspectiva de classe social, os quartis mais privilegiados da sociedade — top 0.1% e 1% — aumentaram seu share da riqueza total em 8 p.p. Enquanto isso, o quartil “popular” (50-90% e bottom 50%) viram seu share cair de 40% para 34%.Na prática, essa mudança significa +$8 trilhões de dólares mudando de mãos em três décadas.Pela primeira vez na história dos EUA, metade dos jovens de 30 anos ganha menos dinheiro do que seus pais aos 30.Sob uma perspectiva de qualidade de vida, globalmente, apenas 50% das pessoas entre 15 e 29 anos acreditam ter um padrão de vida melhor que seus pais. A América Latina é a segunda pior região, com apenas 45%.Mas, digamos que você é um jovem que quer escapar essas estatísticas.Você é inteligente e entende que os melhores retornos financeiros exigem tolerar riscos. Então, você se vê o mercado de ações como sua saída.Em 2005, o S&P500 valia 1.2k pontos. No mesmo ano, a renda média anual americana era de $35k.Em 2015, o S&P estava na casa dos 2k pontos, e a renda média anual em $48k.Em 2024, o S&P fecha nos 6k pontos e a renda média anual em $73k.Ou seja, enquanto o índice das maiores empresas do mundo valorizou-se 5x em duas décadas, a riqueza do cidadão médio americano aumentou apenas 2x.Outra forma de enxergar isso é a quantidade de pontos que você poderia comprar com seu salário anual — ou, qual seria sua “ownership na economia americana” se 100% da sua renda fosse para comprar S&P?Em 2005, você compraria 29 unidades (considerando o valor do índice como unidade) com um ano de trabalho. Em 2024, um ano de trabalho compraria 12 unidades.Você precisaria de dois anos e meio de trabalho para comprar a mesma fração da economia americana que há duas décadas atrás custava um ano.Mesmo uma das ferramentas mais "agressivas" de construção de riqueza tem convergido para resultados estrangulados. Agora, fica mais claro de onde nascem fenômenos como o abaixo?Matemática 3: educação de elite parece fora de alcance“The business of higher education is to take unremarkable kids and give them a shot at being remarkable. And every year, it's gotten more expensive.”Scott GallowayA educação superior já foi o caminho mais confiável para a mobilidade social. Hoje, é um high-stakes gamble.Enquanto a inflação americana cresceu 194% desde a década de 80, o custo de educação superior cresceu 710%. Por outro lado, as taxas de admissão nas instituições tornaram-se ainda mais restritivas ao longo do tempo.A lógica por trás da educação de primeira linha é que ela fornece o acesso a pessoas e conhecimento para conseguir bons empregos.Você se lembra que do que as pessoas fazem quando herdam um mundo com condições sem precedentes e sem expectativa clara de melhora? Elas fazem loucuras e toleram riscos questionáveis em busca de uma chance de mudar suas vidas.“Coincidentemente”, os empréstimos estudantis cresceram mais rápido que todos os outros tipos de empréstimo nos EUA — chegando a $1,5 trilhão em 2022.Infelizmente, não temos dados nesse nível de granularidade no Brasil.Mas, o que eu posso contribuir é que pertenço a essa estatística. Tenho 23 anos e R$500 mil em dívida estudantil.Como um jovem de uma cidade do interior do Brasil, acessar educação de ponta, por mais que fosse um risco financeiro enorme, me pareceu uma oportunidade única de “subir na vida”, ter mais oportunidades, etc.Garanto que não estou sozinho nessa. Tenho dezenas, para não dizer centenas, de amigos e conhecidos que fizeram a mesma aposta — largar suas casas e assumir uma dívida estudantil com a esperança de sair do outro lado com mais oportunidades, dinheiro, liberdade, etc.Enquanto a educação superior de ponta parece cada vez mais fora de alcance, as universidades americanas aumentam mais e mais seus fundos de Endowment. Harvard é um ótimo exemplo disso.“They've increased their endowments in the last 40 years and have decided to expand their enrollment, their freshman class, by 4%. Any university that doesn’t grow their freshman class faster than population that has over a billion dollars in endowments should lose their tax-free status because they’re no longer in higher education. They’re a hedge fund offering class.”Scott GallowayJá parou para pensar que o movimento “anti faculdade”, pode ser simplesmente um disfarce para raiva ou desconfiança das instituições educacionais?Matemática 4: Já que mencionamos desconfiança...A Geração Z enfrenta uma crise de confiança estrutural. Mídia, instituições governamentais, agências internacionais, líderes políticos, mercado de capitais. Todas essas instituições enfrentam o maior nível de desconfiança da década entre os jovens.Parte dessa crise nasce porque aqueles que teriam o poder de despertar mudanças e realinhar incentivos não parecem ter o alinhamento para fazer algo a respeito.Infelizmente, não achei dados como os acima para a realidade brasileira. Mas, por experiência pessoal (e aqui abre-se precedente para discordar, dado que é uma opinião), esse fenômeno parece ser similar no Brasil.É dessa combinação de desconfiança e sensação de impotência que, infelizmente, o pessimismo está em um all-time-high entre a Geração Z.Matemática 5: solidãoEste não é surpresa para ninguém.Nos sentimos mais sozinhos do que nunca antes. Criaremos família mais tarde do que qualquer outra geração na história. Teremos menos relacionamentos amorosos.Será que temos dimensão da profundidade da solidão que estamos caminhando para?Fugazzi. You know what a Fugazzi is?"Então, estamos ferrados?", "Como será a próxima década?", "Quais habilidades serão necessárias para ter sucesso nesse mundo caótico?”Eu tentei por muito tempo chegar a insights acionáveis para esse texto. E, depois de pensar muito cheguei a duas conclusões. A primeira é que não sei como o mundo vai mudar, e ninguém sabe. A segunda é que não acho que os insights virão do impulso de tentar prever o futuro.Todo mês as principais nações do mundo flertam com uma Terceira Guerra Mundial, o país mais rico da Terra tem a maior proporção de dívida em relação ao PIB desde a Segunda Guerra Mundial, IA vai mudar o trabalho, relacionamentos, cultura de maneiras que mal conseguimos imaginar, estamos testando ao vivo com bilhões de pessoas os efeitos de dopamina barata e hiper-exposição através das redes sociais, a expectativa de inflação nos EUA está no nível mais alto desde 1993, vivemos em um intervalo de cinco anos uma pandemia, um “banho de sangue geracional” no mercado de equities que gerou +$6.5 trilhões em perdas em apenas dois dias, 15 das 20 maiores variações diárias de ações da história aconteceram em 2024, e ao que tudo indica estamos à beira de uma Guerra Comercial global.A realidade é que ninguém sabe para onde o mundo vai. A margem de erro é tão absurda que eu considero qualquer previsão intelectualmente desonesta."Desenvolvi a impressão de que nossa mente é uma maravilhosa máquina de explicação, capaz de atribuir sentido a quase tudo, capaz de engenhar razões para todos os tipos de fenômenos, e geralmente incapaz de aceitar a ideia de imprevisibilidade."Nassim Taleb — A Lógica do Cisne NegroEntão, ao invés de pensar pelo frame de “O que vai mudar?”, tenho pensado pelo frame de “O que vai continuar?”Quais são os “operating principles” que, geração após geração — com o mundo em chamas ou em prosperidade — têm sido drivers de criação de valor e são a base que construíram o mundo que vivemos hoje? Durante essa exploração, muitos princípios vieram à mente. Mas, irei me concentrar nos quatro que mais importam para mim.* Assumir riscosAssumir riscos é um princípio intergeracional.Foram os tomadores de risco que nos fizeram sair de uma espécie insignificante no interior da África para dominar a Terra e explorar planetas além do nosso.Nós vivemos sob o apetite de risco de alguém. Colombo navegou em direção ao desconhecido, Galileu Galilei e Martinho Lutero desafiaram a Igreja Católica, Walt Disney e Elon Musk colocaram todas as suas economias em prol de suas visões, Abraham Lincoln e Nelson Mandela desafiaram a sabedoria convencional de seu tempo, etc...Ao longo das gerações, pessoas não mais inteligentes que eu ou você construíram os produtos que usamos, as cidades em que vivemos, o senso comum que aceitamos — tudo porque toleraram riscos.Portanto, o push para mim e para qualquer pessoa lendo isso é "Estamos assumindo riscos suficientes?"Colocando pensamentos autênticos para o mundo — arriscando mal interpretação alheia.Dando all-in no projeto que não sai das nossas mentes — arriscando reputação, dinheiro, tempo.Enviando a DM para seu potencial co-founder, investidor — arriscando ser ignorado.Contratando o talento não trivial — arriscando ouvir “eu avisei".Mudando-se para uma nova cidade ou país — arriscando se sentir perdido e sozinho.Fazendo uma mudança de carreira não óbvia — arriscando sua reputação.Em resumo, tudo converge para a frase do Zuck.“The biggest risk is not taking any risk” * SingularidadeO que parece fácil para você, mas extremamente difícil para outros? O que outros acham sem sentido, mas você acha fascinante?"Quando você olha para a vida de pessoas que fizeram um grande trabalho, vê um padrão consistente. Elas muitas vezes começam com um interesse obsessivo em algo que teria parecido inútil para a maioria de seus contemporâneos. Uma das características mais marcantes do livro de Darwin sobre sua viagem no Beagle é a profundidade de seu interesse pela história natural. Sua curiosidade parece infinita.Se eu tivesse que colocar a receita para a genialidade em uma frase, poderia ser esta: ter uma obsessão desinteressada por algo que importa."Paul Graham — The Bus Ticket Theory of GeniusAo longo dos séculos, pessoas movidas por curiosidade genuína e obsessão não ligaram para as condições extremas que o mundo se encontrava e conseguiram criar algo incrível.Alan Turing criou a base da ciência da computação durante a Segunda Guerra Mundial, George Orwell escreveu seu livro mais famoso, 1984, durante a Guerra Fria, Airbnb e Uber foram fundados durante a crise financeira de 2008.Eu interpreto isso como um chamado para dobrar a aposta nos seus interesses e diminuir o ruído do mundo externo.Invista no esporte que você ama, comece seu podcast, pinte, publique as fotos que você tira, lance a marca de roupas que você gostaria que existisse, publique vídeos sobre seu time de futebol, construa sua comunidade, publique seus pensamentos, fale sobre seus hobbies online.É loucura pensar que cada pessoa é única e mesmo assim parecemos competir pelo mesmo conjunto limitado de carreiras, restaurantes, roupas, ambições, empresas, etc.Ou somos mais parecidos um com os outros do que imaginamos, e por consequência, menos raros e mais substituíveis, ou apenas ignoramos nossa originalidade para replicar os desejos de outras pessoas por falta de coragem ou convicção para perseguir o que realmente queremos.“Man is the creature who does not know what to desire, and he turns to others in order to make up his mind. We desire what others desire because we imitate their desires.”René GirardEu entendo que a maioria de nós não pode levar seus interesses como um full-time job. Mas, isso não deveria ser um impeditivo. Temos domingos, noites durante a semana, férias para aumentar a aposta na nossa singularidade.* Relacionamentos profundosO mundo é uma galeria de criações. E, relacionamentos profundos são os motores de qualquer criação. Eles inspiram, energizam, desafiam e extraem o melhor e o pior de nós.Apesar disso, o operating principle que parece termos adotado é da hiper-visibilidade e profunda desconexão. +500 conexões no LinkedIn, 1k seguidores no IG, dezenas de grupos de WhatsApp — e ainda assim, não temos ideia de quem entre nossos amigos e familiares está querendo achar um emprego, um co-founder, um investidor, passando por um burnout, se sentindo perdido, lidando com uma crise financeira ou de saúde.Frequentemente esquecemos como relacionamentos profundos têm sido a base da felicidade, de uma mente calma, carreiras bem-sucedidas, empresas duradouras por séculos, e não deixarão de ser a partir de agora.Portanto, seja mais presente. Ligue para seu amigo para perguntar como ele está. Go the extra mile para ajudar um amigo a conseguir um emprego. Aja como um co-founder equity-free para seus amigos empreendedores. Ouça as mesmas histórias antigas dos seus pais. Seja proativo em dizer o que você admira em alguém.Seja o motivo pelo qual um amigo ou familiar agradece aos céus por ter pessoas tão especiais em sua vida.Decrease the visibility. Double down on depth.* AgencyA escola nos ensinou a pedir permissão, apenas agir com supervisão, esperar pelos outros, ser conformista (as coisas são assim porque devem ser assim).Porém, o mundo há séculos recompensa, e mais do que nunca recompensará, quem toma a ação sem ser solicitado, aprende fazendo, move rápido, ouve NÃOs e continua.Digo mais do que nunca, porque o valor de agency e o custo de transformar uma ideia em algo existente no mundo real são inversamente correlacionados. Isso significa que, quanto mais fácil se torna tirar uma ideia da sua cabeça e levar ao mundo, realizar as coisas se torna mais uma questão de agency do que de ter permissão ou recursos.Em 2025, você pode construir um produto em minutos com Lovable, construir uma audiência sem nenhum custo com Substack/Twitter, encontrar um cofundador, investidor anjo ou namorado (a) com uma DM, aprender qualquer coisa de graça com ChatGPT/Youtube, lançar sua startup a partir do seu telefone, etc.Então, o pensamento que não sai da minha mente é: "If I had 10x of my agency, what would I do?”. Então, levantar e ir fazer isso. O texto que você está lendo é uma manifestação dessa forma de pensar.Pensamentos FinaisNão quero que este texto soe como vitimismo, porque não é. Como disse no início, toda geração tem um status quo. Este é o nosso.Quero que este texto seja o meio para reduzir a assimetria de pensamento com outras gerações e um encorajamento a qualquer ação que leve as pessoas, especialmente da minha geração, mais perto de controlar seus destinos.Como você viu, tenho uma forte convicção de que herdamos um mundo caótico e em condições pouco favoráveis.Mas odeio ver amigos, família, colegas de trabalho, conhecidos e até eu mesmo congelados em estado de pânico.O que eu adoraria ver, é uma geração de pessoas que usam esse segredo sobre o mundo como combustível para agir, e não como motivo para murmurar enquanto esperam que outros resolvam os problemas delas.Este ensaio, é a minha tentativa de manifestar essa forma de enxergar a vida.E você? What did you get done this week?AgradecimentosObrigado Lucas pela parceria. Obrigado Nicolas, Matheus e Pedro pelos inputs e feedback. Sem vocês esse artigo não teria existido. Referências* The Bus Ticket Theory of Genius* Long Term Trends — Home Price to Income Ratio* Visualizing Wealth Distribution in America (1990-2023)* WTF Happened in 1971?* Financial Nihilism — Epsilon Theory* The vanishing young homebuyer — ResiClub* How the US is destroying young people's future — Scott Galloway* The knotty economics of student loan debt — Knowable Magazine* Nearly 4x more US Gen Z investors have crypto than a retirement account: YouGov report* Declining Youth Trust in American Institutions* Economic Policy Uncertainty Index* Ranking the Biggest Single-Day Stock Swings of All Time* Pessimism among U.S. 12th graders* Inflator Chart This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Apr 10, 2025 • 1h 14min

O poder das conexões com Rodrigo Terron

Rodrigo Terron é a definição de “Pessoa Legal” (espécie em extinção). Ele não quer ser melhor do que ninguém, é muito aberto e têm uma pré-disposição quase que estranha de tentar ajudar. Ele representa uma geração de empreendedores tech que construíram seu caminho sem conexões privilegiadas ou o pedigree tradicional.De operador de telemarketing a fundador de múltiplas empresas, Terron é uma figura relevante do ecossistema tech nacional. Em seu mais recente episódio, ele compartilha sua trajetória desde a fundação da Shawee (posteriormente adquirida pela Digital House), passando pela turbulenta experiência como sócio da Los Grandes (organização de eSports), até seu atual empreendimento, a NewHack - uma plataforma de investimento, educação e fomento para fundadores técnicos.Escute no Spotify, Apple Podcasts ou Youtube.Este episódio só é possível graças aos nossos parceiros:* Salvy: A operadora que está revolucionando a telefonia para empresas. (https://www.salvy.com.br/startups)* Onfly: A plataforma ideal para gerenciar viagens corporativas. (https://www.onfly.com.br/)Principais Insights1. Evento é uma festaTerron revela como transformou o modelo de hackathons da Shawee em um poderoso instrumento de networking e desenvolvimento de negócios. Ao invés de simplesmente executar eventos para clientes corporativos, a Shawee utilizava-os como plataformas estratégicas de relacionamento."Eu descobri que o hackathon era alguém, alguma corporação me contratando para organizar uma festa e eu decidi que ia para festa... eu decidia quem eram os participantes, os mentores, os jurados, os patrocinadores", explica Terron. O poder de organizar eventos é muito grande. Aplicação prática: Empreendedores devem enxergar eventos não apenas como produtos ou serviços, mas como ativos estratégicos de desenvolvimento de rede. A curadoria intencional de participantes e conexões pode gerar um "gatilho de gratidão" e estabelecer sua marca como mediadora de valor no ecossistema.2. Vender para B2B Um diferencial significativo da Shawee foi sua capacidade de entender e navegar pelas complexas estruturas de grandes corporações. Terron descreve como evoluiu de vender para apenas um departamento para criar estratégias multissetoriais dentro das empresas."Você tem que entender como o orçamento funciona. Quem é o dono do dinheiro ou dos dinheiros... Eu entrava no Itaú e o marketing me procurou. Mas eu falava: se eu fazer esse evento só com o dinheiro do marketing vai ficar pequeno, porque o marketing tem só 50.000. Vou procurar o RH também... Aí, quando atingia um resultado, eu virava e falava: 'Quem são os maiores gastos do Itaú de tecnologia? Vamos chamar eles pra ser parceiro.'" Navegar o B2B é uma ciência só e uma forma de amplificar o impacto de orçamento. Aplicação prática: Para empresas B2B, especialmente as que vendem para corporações, é importante mapear os centros de orçamento e construir estratégias para ampliar o escopo e valor de seus contratos. 3. O Paradoxo da Experiência Prévia em Novos MercadosApesar da expertise em tecnologia e construção de comunidades, Terron teve períodos complexos ao entrar no mercado de eSports com a Los Grandes. A falta de conhecimento específico do setor culminou em problemas significativos, incluindo uma dívida de 7 milhões de reais . "Um aprendizado grande é tomar cuidado para não entrar com muita intensidade numa coisa que você não conhece tão bem. Até então, na minha carreira, tudo o que eu ia fazendo tinha muito conhecimento. Eu fui para a indústria de eSports e não conhecia nada. Tomei boas decisões, mas tomei péssimas decisões."Aplicação prática: Quando explorando novos mercados, é preciso equilibrar a ambição com uma abordagem de descoberta disciplinada. Ter especialistas do setor e limites claros para investimentos iniciais é mandatório. Como o Terron disse, ele saiu de “milionário para endividado”. 4. Resiliência Operacional em Tempos de CriseA narrativa de quase-colapso e ressurgimento da Los Grandes oferece um estudo de caso sobre gestão de crise e comunicação transparente. Terron descobriu que manter canais abertos com credores e parceiros, mesmo em situações difíceis, foi fundamental para a recuperação. Um fornecedor relatou: "Sempre que você vinha fazer um call comigo, você me explicava tudo, você me dava contexto... Eu entendia por que o problema estava acontecendo. E cara, eu resolvi o meu problema, vocês resolveram, pagaram... Se você precisar de alguma coisa, eu trabalho com você sem medo."Aplicação prática: Comunicação é confiança. Contextualize os desafios, apresente planos claros de recuperação e mantenha relacionamentos intactos, pois estes serão essenciais para a reconstrução.5. A Tese do "Tech Founder" e a Democratização do Empreendedorismo TecnológicoCom a NewHack, Terron está criando um modelo de venture capital que desafia o perfil tradicional do empreendedor ideal. Seu foco está em desenvolvedores técnicos que identificam problemas específicos e os transformam em negócios, mesmo sem credenciais convencionais."A gente tá olhando para esse perfil do tech founder, que é o cara que está olhando para empreender em qualquer segmento do mercado, mas com uma perspectiva um pouco mais de base tecnológica... Tem um espaço para uma nova geração de empreendedores que ficaram um pouco menos óbvios."Capítulos(0:00) Introdução(2:10) A fundação da Shawee e a importância do Hackathon(7:15) Como vender para grandes empresas e navegar em corporações (12:30) O hackathon como estratégia de networking e posicionamento (18:00) A fusão com a Rocketseat e o desafio de escalar rápido (24:40) Profissionalização da gestão e estruturação de liderança (31:00) Venda da empresa e chancela como marco na carreira (36:30) Entrada no mercado de eSports e os erros cometidos (43:10) Crise, dívida milionária e como reverter o jogo (50:00) A força das conexões nos momentos de dificuldade (54:30) Reaprendizados e o peso da responsabilidade como founder (59:10) O nascimento do NewHack e a nova visão de negócios (1:03:00) Aprender fazendo: de volta à operação e ao conteúdo (1:08:00) Reflexões sobre timing, reputação e impacto This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Apr 1, 2025 • 57min

Construindo uma fintech no WhatsApp

Luiz Ramalho é o fundador da Magie, um banco no WhatsApp (que sou heavy user). Ela atua sobre duas infraestruturas no cerne do dia-dia do brasileiro: o PIX e o WhatsApp, que alcança 92% da população. A Magie foi uma das primeiras experiências de “agente” no WhatsApp. Neste episódio, exploramos os fundamentos por trás da Magie, discutimos o papel da IA como infraestrutura conectiva e avaliamos por que o Brasil pode estar se tornando o maior laboratório de inovação em mensageria do mundo.Escute no Spotify, Apple Podcasts ou Youtube.Este episódio só é possível graças aos nossos parceiros:* Salvy: A operadora que está revolucionando a telefonia para empresas. (https://www.salvy.com.br/startups)* Onfly: A plataforma ideal para gerenciar viagens corporativas. (https://www.onfly.com.br/)Principais Insights1) Engenharia de Interfaces entre Redes ExistentesA proposta da Magie vai além da automação: ela cria interoperabilidade entre redes estabelecidas. Como resume Ramalho: “Conectamos o WhatsApp ao PIX sem depender de nenhum dos dois fazer adaptações — apenas transformando texto em ordem de pagamento.” IA atua como ponte inteligente entre sistemas populares, mas isolados.Implicação: Soluções vão surgir não somente da construção de novas redes, mas da redução de fricção entre plataformas já massificadas. Contraposicionamento Estratégico com IncumbentesA Magie exemplifica o conceito de counter positioning, formulado por Hamilton Helmer do 7 powers: um modelo de negócio que players dominantes não conseguem adotar sem comprometer sua base atual de receita.Enquanto bancos incentivam o uso de seus próprios apps para maximizar cross-selling, a Magie opera nativamente no WhatsApp — onde os usuários já estão.Implicação: A diferenciação mais poderosa não está em tecnologia superior, mas também em modelos de negócios que criam dilemas estratégicos para incumbentes. Atendimento como diferencialDesde o MVP, a Magie operou pagamentos manualmente para entender padrões de uso antes da automação (João, co-founder, era a Magie rs). Hoje, para permanecer próximo dos clientes, eles mantém um grupo de WhatsApp com quase mil clientes ativos, e o próprio CEO responde diretamente aos usuários.Implicação: Atendimento não é apenas suporte — é um radar estratégico. O contato direto com o usuário revela problemas reais antes que eles se tornem estatísticas. O que parece pouco escalável pode ser o que mais escala inteligência. Falei sobre isto no artigo Como a Obsessão pelo Cliente Transforma Negócios. Nele tem o case da Magie. A Economia da Inteligência Tendendo a ZeroRamalho propõe uma provocação: “Assuma que o custo marginal da inteligência vai tender a zero, como aconteceu com a eletricidade.” Isso muda a lógica de produto: o foco não deve ser “o que automatizamos com ROI positivo hoje”, mas “quais conexões criaríamos se inteligência não custasse nada”.Implicação: Mapeie dois caminhos - um com as restrições de hoje, outro com abundância futura. As empresas que se posicionarem desde já para esse segundo cenário colherão vantagens desproporcionais.O Brasil como Arbitragem Estratégica em FintechCom menor competição, custos operacionais reduzidos e infraestrutura pública sofisticada (PIX, Open Finance), o Brasil oferece uma boas oportunidades. O país se consolidou como laboratório de mensageria — o WhatsApp atinge 92% da população, versus 42% nos EUA e 55% na Índia.Implicação: Fundadores brasileiros estão em posição única para exportar soluções baseadas em WhatsApp. Gestão de Risco em Plataformas MonopolistasConstruir dentro do WhatsApp trouxe adoção rápida à Magie, mas também riscos: limitações de design, regras opacas da Meta e ausência de suporte direto. “Você está jogando com as regras deles — e elas podem mudar a qualquer momento,” alerta Ramalho.Implicação: Produtos que dependem de plataformas dominantes devem desenvolver ativos próprios (marca, comunidade, dados), diversificar canais de aquisição e se preparar para mudanças abruptas.Inversão como Framework DecisórioInspirado por Charlie Munger, Ramalho aplica o princípio da inversão no desenvolvimento de produto: “Ao invés de perguntar por que a empresa vai dar certo, pergunto o que faria ela dar errado.” Essa abordagem expõe riscos ocultos e melhora a alocação de recursos.Implicação: Institucionalize a inversão como prática de planejamento. Forçar times a nomear falhas potenciais fortalece a antifragilidade de produtos e decisões estratégicas.Teste a Magie: https://magie.com.br/O WhatsApp como Ecossistema Global em FormaçãoO caso da Magie não é isolado. O Brasil abriga startups que transformam o WhatsApp em infraestrutura crítica:* ChatClass: Educação popular via WhatsApp* Felix Pago: Remessas internacionais sem fricção* BeConfident: Ensino de idiomas contextualizadoImplicação: O Brasil pode ser para o WhatsApp o que Israel foi para a cibersegurança. Fundadores que entenderem as dinâmicas locais e criarem produtos nativos para essa interface terão vantagem global conforme a adoção aumenta em outros países.Saiba mais neste artigo: Capítulos: (0:00) Introdução (3:10) Origem do nome Magie e a conexão com magia e Monopoly (6:00) Como a IA transforma áudios e mensagens em pagamentos (9:20) MVP manual e os aprendizados da fase inicial (12:00) Diferenciação contra grandes bancos(15:30) Estratégia de inovação e os dilemas dos incumbentes(18:45) O Brasil como terreno fértil para inovação(21:10) Obsessão por experiência do cliente (25:00) Open Finance e desafios técnicos com bancos (28:00) IA como infraestrutura para colar redes (31:40) WhatsApp como plataforma: vantagens e limites (36:10) O futuro da IA e o custo da inteligência caindo (40:00) Paradigmas de desenvolvimento com IA (43:50) Curadoria humana e aprendizado de máquina (46:00) Limitações e aprendizados de criar dentro do WhatsApp (49:00) O mito de "parceria com o WhatsApp" e conselhos para founders (51:00) A cultura de ajuda entre founders (53:00) Modelos mentais e a importância de pensar invertido (56:00) Considerações finais e convite para usar a Magie This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Mar 26, 2025 • 1h 7min

Humildade, Vendas e Saúde: A jornada de Claudio Mifano

Claudio Mifano é cofundador da Livance, uma startup que oferece infraestrutura como serviço para médicos e profissionais de saúde. A empresa cria espaços e serviços inovadores que permitem a esses profissionais se dedicarem integralmente aos seus pacientes. A empresa já levantou mais de 100 milhões de reais com fundos como Monashees, Astella, Green Rock, Terracotta e Mago Capital. Neste episódio, exploramos como ele transitou de investidor para empreendedor na área da saúde, abordando desde a importância de viver a dor do cliente até a construção de uma cultura que valoriza feedback. Conheço o Mifano há anos e para mim, ele é uma pessoa que leva a vida de forma “leve”, mesmo nos momentos complexos do negócio. Discutimos sobre isto também. Escute no Spotify, Apple Podcasts ou Youtube.Este episódio só é possível graças aos nossos parceiros:* Salvy: A operadora que está revolucionando a telefonia para empresas. (https://www.salvy.com.br/startups)* Onfly: A plataforma ideal para gerenciar viagens corporativas. (https://www.onfly.com.br/)(Se inscreva no canal do youtube) Principais insights:1) Vendas como Força Motriz do Empreendedorismo"Diretor de banco de investimento, vendedor. Sócio de empresa de consultoria, vendedor. CEO de startup, vendedor." Mifano traz que independentemente do setor ou da formação, todo fundador acaba sendo, acima de tudo, um vendedor.Uma dica para os vendedores é se conectar de verdade: "Se você demonstra que está genuinamente interessado na pessoa, você consegue criar uma conexão," afirma Mifano. "Saber ouvir às vezes é meio contraintuitivo, mas é importante." Essa abordagem de "vender sem vender" tornou-se um diferencial para a Livance, permitindo construir relacionamentos mais profundos tanto com médicos quanto com investidores como vocês vão escutar no episódio.2) A Humildade ao empreenderMifano descreve o empreendedorismo como "uma aula de humildade brutal" onde erros e recusas são constantes. "É como se tivesse um pessoal escondido com a sandália da humildade te arremessando o dia inteiro," brinca.Esta perspectiva ganha ainda mais relevância considerando sua trajetória anterior: sócio bem-sucedido em um fundo de investimentos e ex-aluno de Stanford, Mifano abandonou uma zona de conforto no mercado financeiro para enfrentar o desconhecido. Como ele disse no episódio: Para cada "sim" de investidores ou talentos recrutados, dezenas de "nãos" pavimentaram o caminho. "Foram dezenas de nãos... é um exercício de humildade." .3) O Produto-Mercado Perfeito: Quando a Dor é ClaraDiferentemente de muitas startups que precisam pivotar repetidamente, a Livance encontrou seu modelo de negócio rapidamente. Mifano atribui isso à clareza da dor que estavam resolvendo, personificada pelo co-fundador médico que "passava o domingo fazendo um plantão de 24 horas para bancar o consultório dele vazio a semana inteira e entendia as dores com profundidade"A metodologia de validação do projeto foi abrangente: mais de 150 médicos entrevistados presencialmente e um piloto na clínica do co-fundador com dez clientes iniciais. "A gente ficou testando... porque eu também não queria me jogar no negócio" O primeiro momento de validação veio quando uma nutricionista, a primeira profissional a entrar na plataforma, declarou-se "apaixonada" pelo modelo após conhecê-lo. Este feedback direto confirmou o provável product-market fit e estabeleceu um padrão de "sucesso compartilhado" entre a plataforma e os profissionais de saúde.4) Healthtech e as Oportunidades em um Setor FragmentadoO setor de saúde apresenta desafios únicos para inovadores. Mifano observa que "o índice de sucesso de startups de saúde é 80% menor que fintechs" ao comparar quantas avançam até uma Série C. Isso se deve a múltiplos fatores:* Resistência cultural à inovação: "Os profissionais de saúde são treinados para repetir processos com o mínimo de erro. Como você fala 'agora você tem que inovar sem errar'?"* Desconexão de incentivos: "Está cada um tentando resolver o problema pelo seu lado. O paciente, o médico, o plano de saúde... está todo mundo meio certo, mas ninguém muito certo."* Fragmentação de dados: "Tem fax em contratos do setor ainda hoje. É uma loucura... para você ter dados conectados, você precisa resolver quem vai liberar o dado, de quem é o dado."Apesar desses desafios, Mifano vê oportunidades transformadoras na digitalização de processos e no uso de wearables para monitoramento contínuo. "Com "5% dos funcionários correspondendo a 45% do custo de saúde", o acompanhamento preventivo dessas pessoas representa uma oportunidade econômica significativa. O modelo da Livance posiciona-se exatamente nesta fronteira: criar um ecossistema onde incentivos convergem para o cuidado preventivo e eficiente.5) Lições para EmpreendedoresO caso da Livance oferece insights valiosos para qualquer empreendedor:* Cultive humildade estratégica: Use erros como ferramentas de aprendizado, não como obstáculos.* Desenvolva escuta genuína: "Tem dois ouvidos e uma boca, não é à toa," como dizia um mentor de Mifano.* Valide rigorosamente antes de escalar: A confiança no modelo veio de testes metodológicos, não apenas intuição.* Comunique o contexto constantemente: "Você acha que todo mundo tem contexto, mas descobre que gente sênior que está com você não tem."* Encontre alegria no processo diário: "A felicidade é algo que você faz no dia a dia, não é a rodada de investimento."Obrigado Mifano pelo papo e se você tem interesse em trabalhar na Livance, deveria checar as vagas aqui. Fotos dos consultórios Livance:Capítulos(00:00) O episódio (03:09) Todo mundo é vendedor: o post que viralizou (10:12) Felicidade, humildade e a montanha-russa de empreender (17:21) Livance: missão e três grandes pontos de virada (26:04) Pandemia: susto inicial e validação da tese (28:01) Efeito rede e o crescimento da Livance. (30:15) Desafios de escalar: liderança, cultura e comunicação (34:01) A transição do mercado financeiro para o mundo empreendedor (37:27) Product-market fit logo de início: um caso raro (44:02) Inovação em saúde: barreiras, oportunidades e futuro (50:55) Futuro da saúde e tecnologia (57:10) Considerações finais e encerramento This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Mar 18, 2025 • 1h 3min

Investindo em investidores: A trajetória, os insights e as previsões de Ricardo Kanitz

Ricardo Kanitz é o fundador da Spectra Investimentos, o maior fundo de fundos em ativos ilíquidos da América Latina. Além de atuar em diversas classes de investimento, a Spectra investe em Venture Capital, sendo reconhecida como um dos principais LPs da região e é um nódulo central de recursos no ecossistema desde a incepção do mercado.Neste episódio, discutimos como identificar um gestor de excelência, o futuro do Venture Capital no Brasil, a importância de equilibrar intuição e dados na tomada de decisões e os desafios de empreender com alocação de capital.Escute agora no Spotify, Apple ou Youtube. Este episódio só é possível graças aos nossos parceiros:* Salvy: A operadora que está revolucionando a telefonia para empresas. (https://www.salvy.com.br/startups) * Onfly: A plataforma ideal para gerenciar viagens corporativas. (https://www.onfly.com.br/) (Inscreva-se no canal do youtube). Principais Insights. * Centro de Custo vs. Centro de Lucro* O conceito: Classificar pessoas e áreas como geradoras de despesa (custo) ou receita (lucro) promove transparência no uso de recursos e facilita a avaliação de prioridades.* Aplicação prática: Se uma startup ou fundo não balanceia esses dois “centros”, pode ficar sobrecarregada de custos, atrasar inovação ou perder oportunidades de crescimento.* Os valuations estão caros em startups? * Carta Polêmica de 2024: Uma carta da Spectra, que acabou vazando, afirmava que “os múltiplos de venture capital não fazem sentido no Brasil”. O argumento central é que temos um mercado significativamente menor que o dos Estados Unidos, porém muitas startups brasileiras alcançam valuations semelhantes aos americanos.* Descolamento e Pressão nos Retornos: Esse “descolamento” pressiona a geração de bons resultados para os fundos, pois o potencial de exit aqui é menor — e se torna mais difícil justificar valuations elevados.* Oportunidades e limitações dos Nichos: Além disso, setores de altíssimo impacto — como o bancário — já foram explorados. Hoje, a maioria das empresas surge em nichos menores, o que limita o potencial de retorno e, em tese, deveria também limitar o valuation. Não é o que Kanitz tem visto em muitas rodadas recentes, gerando preocupação sobre a sustentabilidade das precificações.* Escolhendo Gestores* Competências técnicas: O right to play é que a gestora faça muito bem o processo produtivo do Venture Capital. “O que esses talentos precisam saber fazer? Originar oportunidades, analisar, negociar, tocar e vender.” (Ricardo Kanitz)* Fator cultural: O right to win é mais complexo. É preciso avaliar como o gestor lida com riscos e relacionamentos, analisar a estabilidade da equipe, a transparência nos processos e a capacidade de atrair bons empreendedores. * Posicionamento estratégico: Gestores que se especializam em nichos ou que trazem algo exclusivo (network, reputação ou conhecimento setorial) tendem a obter retornos mais consistentes.* As três estratégias de sucesso para um fundo de VC no Brasil: * Ser o Gestor Líder e Melhor Marca: O gestor mais conhecido e com melhor marca tende a ganhar os melhores deals. * Ser o Especialista no Nicho: Em nichos específicos e menos saturados, se tornar o sinônimo de expertise e “value add” tem muito valor e atrai empreendedores que buscam conhecimento aprofundado.* Investir em Software Global: Se o TAM do Brasil é limitado, fundos que investem empresas realmente de tecnologia que podem ser globais tem uma estratégia forte. * Intuição e Dados* Data-driven: A Spectra é uma gestora que prioriza captar dados proprietários e usar como insumo para as decisões. * Processo de decisão: Dados ajudam a reduzir vieses e mostram tendências passadas, mas não capturam todo o cenário. O Kanitz argumenta que a sabedoria é usar intuição em cima dos dados captados. Não são excludentes, mas complementares. * Perigos de extremos: Tomar decisões apenas por “feeling” ignora métricas essenciais. Por outro lado, ser refém de planilhas pode desperdiçar percepções de mercado e relacionamentos valiosos.Capítulos: (00:00) O episódio(03:09) Trajetória: Da USP à Criação da Spectra(10:12) Escolhendo Gestores e Centro de Custo vs. Centro de Lucro(26:10) Intuição e Dados: A Base das Decisões na Spectra(29:56) Valuations Caros e os Desafios dos Exits no Brasil(41:12) Crescimento do Mercado de VC: De 2017 a 2024 – avanços e contradições(45:10) Gestão de Portfólio: Estratégias para equilibrar risco e retorno(48:09) Três Estratégias de Sucesso para Fundos de VC no Brasil(50:52) Sobre nichos vs aglomeradores de capital(57:10) Lições de gestão e estratégias para o sucesso no setor(1:00:00) Considerações finaisSaiba mais sobre o convidado e a Spectra: https://spectrainvest.com/https://www.linkedin.com/in/ricardo-kanitz-6454983/?originalSubdomain=br This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Mar 12, 2025 • 1h 14min

Uma Jornada ‘Like a Boss’ com Rodrigo Dantas

Rodrigo Dantas foi fundador e CEO da Vindi, uma das principais plataformas de pagamentos recorrentes do Brasil, vendida para a Locaweb por R$180 milhões em 2021. Ele também foi host e founder do Like a Boss, um dos podcasts pioneiros sobre empreendedorismo no país. Neste episódio, exploramos sua jornada desde os primeiros dias da Vindi até o exit, destacando os momentos decisivos da empresa, a cultura competitiva e a adaptação ao mercado de pagamentos que passou por muitas mudanças nos últimos 15 anos. Além disso, Rodrigo compartilha sua transição para a vida pós-exit, a decisão de tirar um sabático e seu novo desafio: empreender no campo com uma fazenda de café.Escute no Spotify, Apple Podcasts ou YouTube.Este episódio é patrocinado pela Onfly, a solução completa para gestão de viagens e despesas corporativas. Saiba mais em: onfly.com.br.Alguns tópicos do episódio:Construção de cultura na VindiTrês princípios fundamentais moldaram a cultura da empresa:* Legendar a cultura: A Vindi foi intencional sobre seus valores, deixando explícito o que era e o que não era aceitável.* Contratação baseada em atitude: O foco não estava no currículo mas na mentalidade. Isso levou a contratações inusitadas que deram muito certo, como uma ex-chef de cozinha e um ex-jogador de futebol que se tornaram líderes importantes. * Desligamentos bem feitos: A empresa tinha um processo humanizado para saídas, garantindo que ex-funcionários mantivessem boas relações com a Vindi. O resultado: zero processos trabalhistas ao longo de uma década.Os três grandes pontos de inflexão da Vindi* Aquisição do Smartbill (2017): A Vindi competia no mercado enterprise, mas um concorrente, o Smartbill, dificultava sua penetração. A compra dessa empresa consolidou a Vindi como líder no setor e abriu portas para clientes estratégicos como Whirlpool e Vale.* Expansão via canais e evento Assinaturas Day (2018): Inicialmente, a aquisição de clientes era feita de forma direta, o que não era escalável. A Vindi mudou sua abordagem ao investir na criação de um ecossistema, firmando parcerias e organizando o Assinaturas Day, evento que reuniu mais de mil participantes e acelerou a aquisição de clientes. Hoje esse evento se chama recorrência. * Novo escritório (2019): A mudança para um espaço planejado marcou a consolidação da empresa. O novo escritório foi desenhado para refletir a identidade da Vindi e apoiar sua cultura.Vida pós-exit e reinvenção* Após vender a Vindi para a Locaweb em 2021, Rodrigo ficou dois anos na empresa antes de decidir tirar um sabático. Esse período foi essencial para redefinir suas prioridades, com foco na família e em novas experiências. Recentemente comprou uma fazenda desativada no interior de São Paulo. O aprendizado veio rápido: lidar com o clima, sazonalidade e gestão agrícola trouxe lições valiosas sobre paciência, planejamento e adaptação.Principais insights* A cultura se constrói no detalheTer clareza sobre valores, contratar pelo mindset e tratar bem as pessoas na saída criaram um DNA forte para a Vindi.* Distribuição importa tanto quanto produtoA Vindi começou vendendo de forma direta, mas só escalou quando encontrou os canais certos para crescer, como parcerias estratégicas com ERPs e eventos.* Reinvenção é a única constanteNo mercado de tecnologia, é preciso se adaptar constantemente. A Vindi passou por três grandes mudanças estratégicas: integração com ERPs, entrada no mercado enterprise e resposta ao impacto do PIX.* Sucesso não é só dinheiroApós vender a empresa, Rodrigo redefiniu o que era importante: mais tempo para a família, menos pressa e um novo olhar para desafios fora da tecnologia.* Empreender no campo ensina sobre resiliênciaLidar com a agricultura trouxe novas perspectivas sobre paciência e planejamento, reforçando a importância de pensar no longo prazo.Para quem quiser acompanhar as novas vivências do Dantas, ele lançou uma newsletter chamada The Next Brazil. Conheça clicando neste link. Capítulos:(00:00) Início (01:19) A transição de executivo para empreendedor(02:35) O aprendizado inesperado na plantação de café(07:29) O impacto da visão sobre sucesso após o exit(11:40) O sacrifício e as dificuldades no início da Vindi(15:23) Cultura de alta performance: a mentalidade de competição na empresa (18:44) Construindo a cultura organizacional: escrevendo os valores na parede (24:08) Contratação além do currículo: por que a Vindi escolhia perfis atípicos (26:15) A importância de tratar bem as pessoas na saída da empresa(28:31) O primeiro grande ponto de inflexão: adquirindo um concorrente(31:08) Escalando com eventos: o impacto do Assinaturas Day(32:23) A virada de chave com o novo escritório da Vindi (38:45) Produto vs. distribuição: os erros e acertos da Vindi no crescimento(42:43) O risco de dependência de parceiros e como a Vindi lidou com isso(46:53) A importância de pensar no Endgame desde o início(50:45) O processo de venda da Vindi e o papel da mídia no fechamento do acordo(52:54) Os bastidores do podcast Like a Boss e as lições das entrevistas Referências:* Filme: Campo dos sonhos. * Livro: Morra sem nada. * Episódio: Entrevista com Edgar Corona. Túnel do tempo:Primeiro “Assinaturas Day”Evolução do “Assinaturas Day” que passou a se chamar “Recorrência”Lançamento do livro recorrência This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Feb 20, 2025 • 58min

Transformando a complexidade em oportunidade com Fernando Gadotti

Fernando Gadotti é fundador e CEO da Tako, a HRTech com a missão de se tornar o cérebro do departamento de RH das empresas. A Tako captou R$ 75 milhões em um investimento liderado por grandes fundos de venture capital, como a16z, Ribbit Capital e OneVC. Antes da Tako, Gadotti foi cofundador da DogHero, um dos maiores marketplaces de serviços para pets no Brasil, adquirido pela Petlove em 2020. Neste episódio, exploramos sua trajetória, as diferenças de ser serial founder vs first timer, os aprendizados como empreendedor e sua visão de longo prazo para a Tako. Escute no Spotify, Apple Podcasts ou Youtube. Alguns tópicos do episódio: * Primeira vs. segunda jornada: A evolução no processo de contratação e a importância de usar bem sua rede pessoal principalmente para contratação.* Convicção vem do cliente: Falar diretamente com o mercado tem valor 10 vezes maior do que somente conversar com investidores.* Fundraising e relacionamento: Como construir profundidade nos contatos com investidores, criando confiança de longo prazo.* Tako: ‘A inteligência central’: A estratégia da HRTech para integrar dados e serviços de forma robusta, trazendo transparência na folha de pagamento.Principais insights* Agressividade para se reinventar* Em momentos críticos, soluções “mais do mesmo” raramente funcionam. É preciso ousar, agir rápido e, se necessário, mudar radicalmente o rumo do negócio.* Contratar as pessoas certas. * Usar ao máximo a sua rede pessoal e as referências de pessoas de confiança é a melhor forma de encontrar talentos.* Inspirar-se em processos como o “bar raiser” da Amazon para calibrar o nível de excelência em novas contratações.* Foco no que é difícil* Os problemas complexos são os que mais exigem tempo e esforço, mas também podem se tornar vantagens competitivas se forem bem resolvidos.* Encontrar o maior ponto de dor do cliente e focar no problema mais complexo pode gerar diferenciais competitivos.* Valor das conversas com clientes* Falar com possíveis usuários e compradores do seu produto gera insights valiosos. Essas conversas trazem clareza e convicção sobre o que deve ser construído. Tudo é sobre os clientes. * Profundidade nos relacionamentos com investidores* Construa o vínculo antes de precisar do cheque. A confiança se estabelece com convivência e transparência ao longo do tempo.Este episódio é patrocinado pela Onfly, a solução completa para gestão de viagens e despesas corporativas. Saiba mais em: https://www.onfly.com.br/Capítulos* (00:00) INÍCIO* (02:25) Fernando Gadotti* (04:03) Reinventando o Negócio em Tempos de Crise* (09:12) Construindo uma Equipe de Sucesso: Dicas para Contratar com Propósito* (14:42) O Nome e a Inteligência por Trás do Produto* (16:00) O Processo de Criação: Definindo o Jogo e as Estratégias* (21:13) Do Insight à Confiança: Como a Ideia Tomou Forma* (24:18) O Desafio de Construir Soluções Sustentáveis no Mercado de RH* (27:34) Mudando um Mercado Tradicional: A Jornada de Inovação da Tako* (33:20) Como a Tako Resolve as Dores do Departamento Pessoal* (34:52) A Estratégia da Tako para Resolver Problemas Reais* (37:09) O Maior Erro de Empreendedores? Focar no Produto Errado!* (40:39) Conquistando Segurança e Confiança no Trabalho* (42:36) Fundraising: A Importância de Construir Relacionamentos* (47:58) A Energia do Empreendedor: Provar Algo Que Nem Sei Quem É* (53:47) A Vida Dedicada ao Negócio e a Cultura que Vem de Cima This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Feb 5, 2025 • 1h 8min

Os segredos dos grandes investidores com Market Makers

Thiago Salomão e Josué Guedes são fundadores do Market Makers, que é o principal podcast do mercado financeiro. Neste episódio, nós discutimos:* O momento da economia brasileira. * Os segredos dos grandes investidores. * O que fez o Salomão começar tudo de novo após sair do Stock Pickers.* Como o Market Makers cresceu 10x em um ano. Escute agora na Apple, Spotify, and YouTube.Sunday Drops é apoiado pela Onfly, o software vertical para viagens corporativas.Aprendizados:* Dissociar ruído de sinal. Tem uma frase famosa que diz: “o mercado de ações é uma grande distração para o negócio de investimentos”. O maior desafio de investidores e empreendedores é filtrar distrações e focar nos fundamentos. O Nubank nasceu em um momento de incerteza política e econômica, mas seu sucesso veio da solidez do negócio, não do cenário externo.* Ciclos e Oportunidades. Como Howard Marks aponta, os mercados seguem ciclos. As melhores oportunidades surgem na baixa, mas aproveitá-las exige: a) paciência ou da b) convicção técnica sobre fundamentos, * Evite grandes ciladas. O aprendizado que o Salomão leva do Pedro Damasceno (da Dynamo) é que só de evitar as grandes ciladas de investimento, no longo prazo você está a frente dos outros (Conselho que vale para muito além do mercado financeiro). * Capital humano é o diferencial. Em um mundo onde a tecnologia nivela habilidades técnicas, a qualidade humana dos gestores se torna a maior vantagem competitiva. O conhecimento profundo é o que separa os melhores dos outros. o.* O business Disney. O Market Makers é um negócio que chamo “Disney”. Conteúdo está no centro e as outras iniciativas (como comunidade e fundo) está ao redor. É um modelo que ficará cada vez mais em evidência. * Propósito na decisão. Escolha o caminho que brilha seu olho (e pergunte as pessoas do seu lado). Onde achar o Market Makers, Salomão e JosuéSalomão: Linkedin | Twitter Josué: Linkedin | Twitter Canal Market Makers no Youtube. Onde achar o Lucas Abreu e o Sunday Drops: Linkedin | Twitter Newsletter Capítulos:(00:00) Intro(02:08) O Contexto Atual do Brasil: Pessimismo no Mercado (07:54) A Mudança Constante: Como a Narrativa do Mercado Evolui (15:28) Características Comuns dos Melhores Gestores de Mercado (19:47) O Papel da Inteligência Artificial no Mercado Financeiro (27:45) O Valor do Aprendizado Constante e da Curiosidade (35:48) Construção do Market Makers (46:49) A Marca Registrada: Interesse Genuíno em Extrair Conhecimento(01:00:02) Gentileza This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com
undefined
Jan 29, 2025 • 1h 18min

[UNEDITED DROPS] - TUDO SOBRE DEEPSEEK

O mundo e os mercados foram profundamente impactados pelo lançamento do modelo R1, da chinesa DeepSeek. Mas o que realmente importa neste cenário? Para separar o ruído da realidade, convidei meu guru em AI, Edmar Ferreira, para uma conversa esclarecedora. Edmar é entrepreneur in residence da Every, fundador da própria Every e co-fundador da Rock Content. Nesta live, vamos explorar as implicações (ou a falta delas) do modelo R1 na Nvidia, na OpenAI e na sociedade como um todo. This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit abreu.substack.com

The AI-powered Podcast Player

Save insights by tapping your headphones, chat with episodes, discover the best highlights - and more!
App store bannerPlay store banner
Get the app