

A Beleza das Pequenas Coisas
Expresso
Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser
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May 5, 2017 • 1h 32min
Júlia Pinheiro: “‘A Noite da Má Língua’ deixou-me uma bactéria perigosa. Acredito no lado justiceiro da televisão”
Foi há 23 anos que Júlia Pinheiro apresentou o programa que dessacralizou a forma como se falava da classe política na televisão, ao lado de um painel de ilustres personagens de cabeça fascinante e língua afiada. Eram eles Miguel Esteves Cardoso, Rita Blanco, Rui Zink e Manuel Serrão. “A pena que eu tive de não haver ‘A Noite da Má Língua’ agora, com os escândalos todos dos bancos. Doeu-me tanto...”. Uns bons anos antes, foi a visita do Papa João Paulo II a Lisboa, e em particular o fascínio de observar o repórter que o acompanhava, que a fez trocar a antropologia pelo jornalismo. Ao longo do seu percurso já fez um pouco de tudo na rádio e na ‘caixinha mágica’. Do ‘trash’ ao jornalismo justiceiro, aquele que muda vidas, como o que faz diariamente no programa “Queridas Manhãs”, na SIC. Júlia é a nossa Oprah. Mas sem poder entregar carros ao público. “Não temos essa escala. Mas quando consigo resolver alguns problemas dos meus entrevistados vou mais contente para casa.” Nesta conversa, Júlia fala das suas escolhas, do passado, dos filhos e das ‘armadilhas’ da maternidade, do futuro da televisão, das músicas que a acompanham e do que ainda sonha fazer. “Num programa sem palmas e sem [ter de anunciar o número] 760, eu era muito feliz.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 28, 2017 • 1h 31min
Bagão Félix: “A política felizmente não foi trampolim para nada. Depois de ministro nunca mais recebi qualquer convite”
Há doze anos que Bagão Félix está afastado da política. Foi ministro da Segurança Social e das Finanças nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes e é com orgulho que diz não ter tido nenhum ‘tacho’ decorrente dessa experiência. Mas assume que pagou um preço: “Fiquei com uma marca de ministro das Finanças. É a consequência das regras do monopólio”. Amante do mistério da botânica, em particular das árvores, Bagão Félix encontra na sua quinta no Alentejo o melhor lugar para se ouvir melhor. Apaixonado pelo Benfica, tem um papagaio chamado Pelé que com ele aprendeu a cantar “A Marselhesa”. E para as suas netas é o “avô enciclopédia”, o avô que sabe tudo. Até contar anedotas, que nos conta também. “Sou um eterno curioso. A curiosidade é a única coisa que não envelhece connosco. Espero morrer na busca de uma última curiosidade.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza Das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 21, 2017 • 1h 11min
Celeste Rodrigues: “A vida todos os dias é uma aventura. E a música torna as pessoas mais bonitas”
Celeste Rodrigues, fadista, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste, irmã de Amália Rodrigues, atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 21, 2017 • 1h 11min
Celeste Rodrigues, aos 94 anos: “A vida todos os dias é uma aventura. Gostava de chegar aos 100 e gravar um último disco”
Celeste Rodrigues, fadista, irmã de Amália, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 14, 2017 • 1h 26min
Herman José: “Não posso dizer tudo o que quero. Ainda sou novo para ser velho, mas quando for velhote serei absolutamente insuportável”
Anda há mais de quarenta anos a fazer-nos rir, e o nosso humor não seria o mesmo sem ele. Herman José tem sido genial na arte de subverter e caricaturar o país. Ao longo do seu percurso já teve momentos bons e menos bons, alguns particularmente desafiantes, mas soube reinventar-se na TV e fora dela, regressando à estrada e aos espetáculos ao vivo. Foi numa pausa das gravações do seu programa “Cá por Casa”, na RTP1, que Herman nos recebeu na sua quinta, em Azeitão, o seu refúgio e laboratório criativo. Uma conversa que revisita o seu passado, desfaz mitos, revela algumas mágoas e alegrias e os seus prazeres e luxos. “A felicidade está imenso nos bens materiais. Mas apaixonei-me sempre por pessoas tesas.” Herman garante que respeita as pessoas que têm fé, mas considera que sofrem muito mais na vida: "A divindade nunca se mexeu para nada". Herman, o verdadeiro artista, para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 7, 2017 • 1h 25min
Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”
Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 31, 2017 • 1h 10min
Herberto Smith: “Ser negro neste país é ainda carregar um manto pesado. Mas ser-se português não é sinónimo de se ser branco”
São os jovens negros apagados do retrato, arrumados no gueto, ignorados ou malfalados, que vivem na pele a ‘thug life’, o racismo, a falta de emprego, a marginalidade, aqueles que cativam a atenção da lente do fotógrafo Herberto Smith. “Quero encontrar o lado vulnerável, belo e humano desses rapazes dos bairros problemáticos. Dar-lhes rosto, voz e ‘empoderá-los’, trazer-lhes autoestima, integrá-los e tirá-los dos guetos. Ainda vou erguer um exército de criativos africanos.” Uma conversa que vai fundo na experiência de se ser negro em Portugal, pela voz de um fotógrafo que nos anos 90 viveu no epicentro da noite, da moda e que hoje tem uma missão maior: retratar e rescrever a memória africana em Portugal. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 24, 2017 • 1h 26min
Gisela João: “Cada vez que canto estou a lamber as minhas feridas. E espero lamber também as feridas dos que me ouvem”
Quem ouvir esta conversa corre o risco de ficar tomado pela voz desta mulher e da sua simplicidade, também ela complexa. Foi há dois anos que Gisela João pisou pela primeira vez os palcos dos Coliseus. Mas, antes, esta minhota de Barcelos lançara o seu primeiro disco (2013), que foi logo um espanto, e recebeu um aplauso generalizado que lhe ditou o destino: viver todas as vidas através do fado. Em palco, os sapatos saem-lhe depressa dos pés, para o sentimento ser mais livre. No próximo dia 31 sobe ao palco do Coliseu do Porto e a 7 de abril estará no Coliseu de Lisboa para apresentar o seu último disco, “Nua”. E promete dar-se por inteiro. “Quero que seja uma festa. Que as pessoas fiquem felizes pra ‘carago’. Que aconteça fado!”. Neste encontro, Gisela revela o que lhe vai na alma, recorda a infância, os escapes, os prazeres, os talentos ‘do cacete’ e o que a move na vida. Tudo isto neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 17, 2017 • 1h 21min
Isabel Moreira: “Eu só quero ser um espírito livre. E pago o preço disso com a solidão. Os homens têm medo de mulheres livres”
É uma mulher corajosa, lutadora, afirmativa, que vive permanentemente atormentada com os problemas de uma multidão de gente que espera que ela abra caminho para um país mais livre, sem preconceitos. “Luto todos os dias por uma sociedade menos sexista e homofóbica. A luta pela igualdade é aditiva. Entranha-se na pele. É um comboio que se apanha para a vida. É para sempre.” A deputada socialista Isabel Moreira recorda como foi crescer à esquerda numa família conservadora de direita e como ganhou o gosto pela política por causa do pai, o histórico democrata cristão Adriano Moreira. Uma conversa de verdade, onde Isabel recorda a infância, o que a levou à política, a solidão que vive, o passado de violência que ainda a atormenta, o prazer pela escrita, pela dança e as músicas que a levam a agitar-se na pista como se a vida estivesse para acabar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 10, 2017 • 1h 17min
Lena d’Água, a alma danada: “Desculpem lá se não morri jovem e bela”
De símbolo sexual do rock português dos anos 80 ao recato de uma aldeia no meio da natureza, passou uma vida. Muita coisa mudou, mas a voz doce e cristalina mantém-se intacta, assim como o seu jeito livre e desalmado de ser. Deu que falar nas últimas semanas por ter arriscado concorrer ao Festival RTP da Canção, o que representou para si uma espécie de “renascimento”. Mote para uma conversa que percorre os loucos anos do rock, os vícios, os amores e os desejos: “Vou gravar um disco e ainda quero encher o Coliseu. A idade é mais um assunto na cabeça dos outros do que para mim”See omnystudio.com/listener for privacy information.


