A Beleza das Pequenas Coisas

Expresso
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May 21, 2021 • 1h 39min

Joaquim Letria: “Estamos cada vez mais entregues à bicharada. Mas não culpo os jovens”

Durante décadas, Joaquim Letria foi figura principal da televisão e do jornalismo português. Começou no extinto “Diário de Lisboa”, passou pela BBC, em Londres, foi repórter internacional da agência "Associated Press", fundou “O Jornal”, o “Tal e Qual”, a revista “Sábado” e, na RTP, foi autor e apresentador de programas de informação e 'talk shows'. Em 75, junto com José Carlos Megre, moderou o mítico debate para as presidenciais entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, de onde saiu a célebre frase “olhe que não, doutor, olhe que não!” Sobre esse momento decisivo da democracia, tem uma opinião muito própria. “Soares ganhou porque vendeu às pessoas o que queriam ouvir. Cunhal foi mais verdadeiro. Votei em Cunhal." Voz crítica do jornalismo atual, Letria lamenta também que a ONU ‘sopre para o lado’ enquanto a Faixa de Gaza continua a ser bombardeada por Israel e fala da importância do tempo para se chegar à verdade dos factos. Aos 77 anos, afirma que houve “sempre” quem o quisesse apagar do retrato e avisa: "Não quero reformar-me nunca. Jamais. Com esta idade podemos até ser melhor do que éramos. Sinto-me com mais qualidade."See omnystudio.com/listener for privacy information.
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May 14, 2021 • 2h 15min

Paulo Moura: “Um dos grandes desafios das sociedades é como gastamos o tempo. É um bem absoluto, não desvaloriza, vale mais que dinheiro”

Boa parte da sua vida conta-se em reportagem nas zonas de crise do mundo inteiro, do Kosovo à Argélia, de Angola à Líbia, entre tantos outros lugares em estado de fogo. “Não ir a destinos de guerra não me deixa em paz. Há lugares onde se decidem coisas importantes para a Humanidade. E sinto necessidade de estar lá, mesmo que sejam momentos desagradáveis.” Em 2011, Paulo Moura recebeu o prémio Gazeta de Imprensa pelo conjunto de reportagens sobre a ‘Primavera Árabe’, mas nos últimos anos tem-se dedicado à escrita de viagens e à literatura. Sempre para refletir sobre o mundo e compreender os outros. “Quero perceber o que há em mim deles. Mesmo os facínoras. Esta é a essência do jornalismo. Mas tentar compreender não significa justificar, nem absolver.” Autor de 10 livros de não-ficção acaba de lançar “Cidades do sol - em busca de utopias nas grandes metrópoles da Àsia”, onde pretende descobrir com que sonham os habitantes do futuro. Esta conversa parte daí para as interrogações do presenteSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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May 7, 2021 • 1h 22min

Ivo Canelas: “A minha preocupação com o 'por favor gostem de mim' é menor. Mas ando sempre a controlar o medo, o pânico”

Depois de um ano que nos deitou abaixo, é catártico poder (re)ver o ator Ivo Canelas no monólogo “Todas as Coisas Maravilhosas”, do inglês Duncan Macmillan, que fala sobre saúde mental e a importância de não perdermos a capacidade de nos deslumbrarmos com os outros, a música, a vida. O espetáculo já foi visto por mais de 15 mil espectadores e está em cena até final de maio, no “Estúdio Time Out”, no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Nesta entrevista Ivo fala da importância da dúvida e de como ela o desarruma e desconcerta tantas vezes. “Cada vez mais tenho menos certezas absolutas. Percebo mais claramente o ridículo que são essas certezas absolutas." Sobre o sonho do cinema americano, que continua bem vivo em si, afirma: “É uma luta constante. Os 'nãos' continuam a acontecer. Mas continuo a sentir em mim a 'vibe' de que é possível. E é na subida para a montanha que está o prazer, não é o alcançar o pico. Porque se chegarmos ao topo vamos pensar 'ok, então qual vai ser a próxima montanha mais alta? Esta insatisfação é essencial para vivermos”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 30, 2021 • 1h 44min

Sara Barros Leitão: “Não é um nome que faz com que a denúncia de assédio seja mais credível. A vítima deve sempre ser ouvida”

É uma atriz e criadora cheia de urgência. Diz de si que nasceu atrasada, tanto é o que quer fazer no palco e fora dele. Sara Barros Leitão descreve-se como feminista, ativista, incoerente, revolucionária. E afirma usar o espaço de cena e o papel e a caneta como um bidão de gasolina para atear fogos no pensamento, desfazer em cinzas a desigualdade e preconceito e trazer a lume a história das pessoas esquecidas e invisíveis. “A minha questão sempre foi como uso o meu privilégio para mudar o mundo. O privilégio tem de ser distribuído tal como a riqueza." Aos 30 anos, com um percurso em teatro, cinema e televisão, já foi nomeada para os Prémios Sophia, Prémios Áquila, Globos de Ouro e, em 2020, venceu a 1.ª edição do Prémio Revelação Ageas Teatro Nacional D. Maria II, que reconhece os talentos emergentes do teatro. “Um dos grandes desafios para um jovem artista é sobreviver e lutar contra a precariedade." Sobre as denúncias de assédio no meio audiovisual português, afirma nesta entrevista que conhece essa realidade e que é testemunha do caso tornado público pela atriz Sofia Arruda. “Estas denúncias que vão sendo feitas têm de ser acompanhadas com uma grande discussão pública que está agora a começar"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 23, 2021 • 1h 45min

José Gameiro: “A preguiça é um direito de cada um de nós, o direito de não fazer nada. As melhores ideias aparecem quando estou a preguiçar”

Há mais de 40 anos que o médico psiquiatra ouve os desabafos e angústias dos casais em crise. E nesta conversa deixa claro que, mais do que a infidelidade, o pior veneno para o casal é a crítica destrutiva e sistemática. Sobre a pandemia, assume que se enganou ‘redondamente’ no início e que não esperava que provocasse tanto impacto na saúde mental. E prevê que a crise económica irá piorar largamente o bem-estar psicológico das pessoas. Sobre si, aos 71 anos revela que continua a saber tirar gozo da vida. “Sou um gajo de prazeres. Não consigo viver sem tempo, sem os pequenos prazeres. E sempre que possível, todos os fins de semana eu e um amigo pilotamos um avião e decidimos aonde vamos tomar café no país. O que mais gosto é descolar, sair do chão e andar pelo ar”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 16, 2021 • 1h 36min

Afonso Reis Cabral: “À primeira oportunidade haverá uma catarse coletiva. Em pouco tempo voltamos ao normal e não ao novo normal”

É autor de dois romances aplaudidos pela crítica, “O Meu Irmão” (Prémio LeYa 2014), e “Pão de Açúcar” (Prémio José Saramago 2019) e, em 2019, durante vinte e quatro dias percorreu sozinho Portugal a pé pela mítica Estrada Nacional 2, de Chaves a Faro, onde se cruzou com inúmeras histórias inusitadas, que registou no livro “Leva-me Contigo”. Mas há muito que as viagens são um dos seus maiores prazeres, desde que aos 13 anos viajou de boleia num camião TIR até à Alemanha. A preparar o próximo romance, que deverá sair ainda este ano, assegura que não usará tão cedo a pandemia como pano de fundo para as suas histórias. O que haverá sempre é conflito. “A boa literatura usa sobretudo a quebra, a falha e o conflito. E esse conflito é da natureza humana.” Quanto aos conflitos da atualidade, deixa o recado: “Não me parece que faça qualquer sentido travar uma vacina que nos está a salvar. Um dos atuais venenos são as campanhas de desinformação constantes em relação às vacinas”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 9, 2021 • 1h 44min

Maria Manuel Mota: “Todo este nacionalismo de vacinas é irracional e errado. As partes só ganham quando o mundo estiver a salvo”

Ela é uma das mais relevantes cientistas portuguesas que anda há uma vida a estudar uma vacina para a malária, e no início de 2020 colocou a sua equipa ao serviço do país para ser criado o primeiro kit de diagnóstico português do novo coronavírus. Nessa altura a diretora do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e Prémio Pessoa 2013 afirmou ao Expresso que o causador desta pandemia “é um vírus relativamente bonzinho". Agora, Maria Manuel Mota refaz a frase que dissera: “Este vírus não é bom ou mauzinho. É um organismo que luta pela sua sobrevivência. Temos de ter muito cuidado até termos imunidade de grupo. Mas a verdade é que isto podia ser muito pior.” A cientista sublinha que esta não foi a primeira vez, nem será a última, que o mundo sofreu uma pandemia. E deixa o aviso neste podcast: “A atual pandemia devia ensinar-nos que só vamos estar a salvo quando todos estiverem a salvo no mundo. O Reino Unido pode estar muito contente por atingir a imunidade de grupo, mas quer viver na sua ilha sozinho? Não. O que está a acontecer no Brasil é perigosíssimo para o mundo inteiro"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 2, 2021 • 1h 17min

Afonso Cruz: "A perversidade é uma parte fundamental da arte. Na minha escrita há isso. A boa arte cria uma rutura que dá lugar a algo novo"

Afonso Cruz é um multi premiado autor de mais de 3 dezenas de livros publicados em várias línguas, como "Jesus Cristo Bebia Cerveja" ou “Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas”. Ao estilo renascentista, Afonso é também ilustrador, cineasta de animação, músico da banda “The Soaked Lamb” e produz cerveja. Em abril lança ‘O Vício dos Livros’, que fala sobre o amor e o ódio aos livros e as histórias que surgem a partir daí. O escritor que se mudou há 12 anos de Lisboa para um monte alentejano confessa que a pandemia lhe criou um ‘engarrafamento literário’. O seu próximo romance deverá sair este verão, com um enredo que nos remete para o início dos anos 60 e a construção do muro de Berlim. "Gosto da sensação de ócio quando escrevo. Por vezes sofro um pouco com a escrita. Mas entrego-me a esse sofrimento com prazer."See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 26, 2021 • 1h 44min

Beatriz Gomes Dias: “Uma criança negra que me veja na Assembleia e na TV como candidata à Câmara de Lisboa vai poder sonhar chegar lá”

Foram precisos quase 50 anos de democracia para que a Assembleia da República passasse a ter três mulheres negras com assento parlamentar. Beatriz Gomes Dias, deputada do Bloco de Esquerda, é uma dessas mulheres, responsável pelas áreas do combate ao racismo, defesa dos direitos das pessoas migrantes e da cultura, que voltou agora a ser notícia por ser a candidata escolhida pelo BE à Câmara de Lisboa, tornando-se a primeira mulher negra na corrida a esta autarquia. “É importante a representatividade e que haja mulheres como eu com uma agenda política que defenda todas as comunidades que sofrem opressão e discriminação. Mas é preciso inscrever também no nosso tecido coletivo social que as pessoas negras podem representar o país, podem representar uma cidade, podem representar toda a gente.” E Beatriz que sonha uma nova Lisboa mais verde, inclusiva, com menos carros e habitação mais acessível, deixa um recado nesta conversa em podcast sobre uma realidade que quer mudar: “Quando chegamos de manhã ao Parlamento vemos que a maior parte das pessoas da limpeza são mulheres negras. E percebemos como a estrutura da sociedade está ainda organizada"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 19, 2021 • 1h 42min

Dalila Carmo: "Ser mulher nesta indústria é lixado. Um homem da minha faixa etária não seria dispensado à mesma velocidade"

Ela já foi corpo, voz e emoção de largas dezenas de mulheres ao longo de mais de 30 anos a representar na televisão, no teatro e no cinema. Nesta conversa a atriz Dalila Carmo, de 46 anos, assume um novo ciclo pessoal e profissional depois da rescisão imprevista com a TVI e refere que o fator idade terá sido uma das razões para a dispensa do canal. Mas a própria vê o momento como uma oportunidade. "Sinto que fiz novelas a mais. A indústria sugou-me um bocadinho." Ainda sobre a saída do canal onde esteve mais de duas décadas acrescenta: “João César Monteiro tinha uma frase em que dizia: ‘Não são vocês que me expulsam, sou eu que me vou embora.’ É o momento para criar as minhas próprias oportunidades.” Dia 22 de abril, a atriz regressa aos palcos com a peça “Noite de Estreia”, no Teatro da Trindade, em Lisboa, uma obra inspirada num dos filmes mais emblemáticos de John Cassavetes, sobre a crise existencial de uma atriz de meia-idadeSee omnystudio.com/listener for privacy information.

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