

A Beleza das Pequenas Coisas
Expresso
Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser
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May 20, 2022 • 1h 39min
Maria Filomena Mónica: "Nunca me sinto feliz. Tenho sempre um desejo absurdo de sofrer"
Dezassete anos depois da autobiografia “Bilhete de Identidade”, que esteve envolta em grande polémica, a socióloga Maria Filomena Mónica volta a publicar um livro mais pessoal. Mas, desta vez, estes escritos são o seu olhar sobre as centenas de cartas, postais e documentos que herdou da sua família, para arrumar as memórias, onde chega a desenterrar segredos, sobre a sua mãe e a sua avó, que nunca imaginara. Chamou-lhe “Duas Mulheres”, com a chancela da Relógio d´Água, e, através delas, procura perceber melhor o passado e a mulher em que se tornou. Neste episódio, reflete ainda sobre o amor, a finitude e a forma salvífica como a escrita a tem ajudado a sobreviver ao cancro. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 13, 2022 • 1h 48min
Gaya de Medeiros: "Não quero ser reduzida a uma ferida ou a um estigma social. Quero trazer narrativas que promovam a empatia"
Tem nome de deusa do caos e é através da dança que transforma as suas inquietações em emoção, beleza e suor. Em 2021, deu que falar na performance “Atlas da Boca”, considerada pelo jornal Expresso como um dos melhores espetáculos do ano. Na televisão, chegou às semifinais do programa televisivo “Got Talent Portugal 2020”, na RTP, e no grande ecrã acaba de protagonizar a curta “Um Caroço de Abacate”, com Ivo Canelas, e realização de Ary Zara, distinguida com dois prémios e uma menção honrosa. Sobre si, esta bailarina e mulher trans, nascida em Belo Horizonte, no Brasil, chega a afirmar: "Estou cansada de incomodar. O meu corpo já desapazigua, então quero trazer leveza e balanço do mar. Não quero ser uma britadeira a bater incessantemente num ponto. Quero ser uma onda." Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 6, 2022 • 1h 60min
Inês Meneses: “Sou atraída pela verdade. E lido muito mal com a mentira. Não se pode dizer tudo, mas temos de ser verdadeiros”
Há 18 anos que Inês Meneses conduz o programa “Fala com Ela”, que criou na Radar e passou a morar na Antena 1. Um espaço singular de escuta e conversa que foi distinguido, em 2015, com o Prémio da SPA, para “Melhor Programa de Rádio, e em 2019, no Festival Podes. Autora também do “PBX”, com Pedro Mexia, e de “O Amor É”, com Júlio Machado Vaz, na Antena 1, Inês Meneses afirma celebrar a vida a cada momento. Conhecida pelo seu humor mordaz e gosto em mergulhar nas matérias do coração e da sexualidade, Inês assinou durante anos sob pseudónimo no DN as crónicas “O Sexo e a Cidália” e, mais recentemente, escreveu em nome próprio os livros “Amores (Im)Possíveis”; “Caderno de Encargos Sentimentais ou “O coração ainda bate”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 29, 2022 • 1h 25min
João Grosso: "Formei-me no combate ao medo. Os outros que me queriam negar, exaltaram-me, fizeram-me lutar por aquilo que me pertencia"
É um dos mais prestigiados atores do nosso país, com um amor particular à poesia. Largamente premiado, está em digressão pelo país com o espetáculo “Última Hora”, de Rui Cardoso Martins, com encenação de Gonçalo Amorim. Durante as últimas semanas, foi um dos performers da obra “1983”, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, ao habitar o cenário de uma paragem de autocarro dos anos 80, envolta em estigma e solidão. "Continua a haver preconceito com a diferença. Isso mexe com a dignidade e com o direito que qualquer pessoa tem a explanar o seu ser em toda a sua grandeza." E recorda o momento em que teve um processo em tribunal, em 1987, por cantar na televisão pública o hino nacional em versão punk-rock, ou quando foi espancado por 'skinheads' para proteger a vida de um rapaz. "O ódio ainda anda por aí. Combate-se o ódio com Educação e Cultura."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 22, 2022 • 1h 46min
Edite Estrela: "É altura de as mulheres desempenharem os altos cargos da nação. As mulheres servem para trabalhar, mas também para decidir"
A propósito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, começa por deixar a mensagem: “Há os heróis do 25 de Abril, mas é justo que a História reconheça também o papel das mulheres, que têm sido esquecidas.” Feminista e acérrima defensora da igualdade de género, deixa claro que há uma revolução contra o patriarcado por se cumprir. “A democracia não se cumpre se prescindir do contributo de metade da população. Temos de afastar a ideia de que as mulheres trabalham e os homens brilham, que as mulheres são formiguinhas e os homens podem ser cigarras e usufruir do trabalho das mulheres.” Neste podcast, Edite Estrela recorda que quando se filiou no PS e foi deputada na AR, havia poucas mulheres no parlamento. “Era o reino do masculino. Foi precisamente quando se introduziu o sistema de quotas que se começou a feminizar a política." O seu nome chegou a ser apontado para a presidência da AR nesta nova legislatura. Tal não aconteceu, mas nesse processo houve uma campanha negativa sobre si, em relação ao qual comenta: “Estou convencida que fui mais atacada por ser mulher. Há sempre uma tendência para se escrutinar mais a mulher na política.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 15, 2022 • 2h 6min
Natália Luíza: “Gosto de provocar revoluções. É preciso abalar as estruturas. Antes era violenta, agora faço-o com doçura. É mais eficaz!”
É co-diretora artística do Teatro Meridional, em Lisboa, e tem em cena a peça “Vida Inversa”, com encenação sua e texto de José Luís Peixoto, sobre um mundo distópico que se parece com o nosso. Afirma que é mais feliz a dizer poesia e a dançar. "A poesia dá-me longe, dá-me céu, dá-me Deus nas pequenas coisas. E ajudou-me a levantar sempre." Com um prestigiado percurso na televisão, teatro e cinema, Natália Luiza afirma que a idade a fez libertar carga. “Sinto que já estou a descer a colina. O corpo vê a paisagem inteira. Sou mais feliz agora. Lido de outra maneira com o tempo e preocupo-me muito menos com minudências.” Este mês acaba de lançar o site a-gente.pt, para todos os atores e atrizes que não são representados por agentes, e planeia lançar um podcast com leituras das mais variadas obras da literatura portuguesa. “As revoluções têm de acontecer permanentemente. Temos que ser Abril todos os dias.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 8, 2022 • 1h 19min
Joana Gama: “O talento e o trabalho podem ser uma maldição. Acredito mais no prazer. É importante encontrarmos o que gostamos de fazer"
Joana Gama é uma das pianistas portuguesas mais incontornáveis da sua geração. Mistura de forma inovadora a música com a dança, a fotografia, o teatro ou o cinema. Faz dupla com Luís Fernandes, piano e eletrónica, e vai apresentar a peça de teatro musical "J-CHOES – J'ai faim" a dia 8 de abril no Teatro Viriato, em Viseu, e a 11 de abril no Goethe-Institut, em Lisboa. Uma obra cheia de humor poético que parte de uma hipótese surrealista: e se Erik Satie aparecesse numa festa musical-culinária dos amigos artistas John Cage e Hans Otte? Sobre a importância das coisas simples a que Joana dá cada vez mais atenção chega a dizer: “Há dias abriu uma flor de esteva no terraço de casa. Foi uma emoção. Se se tivesse mantido uma maior ligação à natureza não estaríamos envolvidos nestas atrocidades, não só relativamente à guerra, como ao capitalismo e aos desastres ambientais.“See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 1, 2022 • 1h 35min
Cláudia Lucas Chéu: "Gosto de ser uma lanterna que ilumina os sítios mais escuros e desagradáveis"
A escritora, poeta, dramaturga, argumentista e atriz Cláudia Lucas Chéu, autora de títulos como “Beber pela Garrafa”, “Mulher Sapiens” e “Ode Triumphal à Cona”, sobe agora ao palco do Teatro Nacional D. Maria II para protagonizar “Orlando”, a peça que escreveu a partir do texto de Virgínia Woolf com encenação de Albano Jerónimo, em cena de 5 a 10 de abril, na sala Garrett. Uma obra que é uma travessia até à verdade, uma celebração e um grito de revolta da comunidade LGBTQIA+. Uma peça que ganha outro peso e significado em tempos de guerra: “Não conheço emoção mais potente do que o amor. É mais poderosa do que o ódio.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 25, 2022 • 1h 36min
Joana Espadinha: "O 'streaming' é injusto para quem cria a música. Os músicos recebem muito pouco. É mesmo ridículo“
Foi em setembro de 2021 que a cantora e compositora Joana Espadinha lançou o último álbum “Ninguém Nos Vai Tirar o Sol”, um mantra luminoso com canções pop, para levantar o ânimo apesar da pandemia, das tristezas e das guerras. Este ano foi autora do tema “Ginger Ale”, interpretado por Diana Castro, que ficou em 2º lugar ex-aequo na final do Festival RTP da Canção, inspirado na experiência da maternidade. “A maternidade é muito romanceada. Não é só um fardo, mas também é. Fala-se pouco do seu lado difícil. É feita dos melhores e piores momentos.“ Sobre o processo de escrita das suas canções chega a afirmar: “Gosto de fazer refrões que sejam fáceis o suficiente para as pessoas cantarem, mas não o suficiente para serem pirosos”. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 18, 2022 • 1h 48min
Manuel Aires Mateus: “Lisboa já não é uma cidade inclusiva e isso é um desastre. Mata a cidade”
Para Aires Mateus “a arquitetura é sempre percebida através do vazio”. E o que constrói “é o limite do vazio.” “A arquitetura só acaba quando a vida se desenrola sobre ela.” Apesar da excelência, relevância e prestígio da sua obra, o arquiteto afirma neste episódio que tem gosto em assinar projetos de habitação para clientes da classe média, com orçamentos reduzidos, desde que haja paixão e entusiasmo por parte de quem lhe encomenda a obra. “Prefiro desenhar na escassez do dinheiro do que na abundância. A arquitetura faz-se desses limites e racionalidade.” See omnystudio.com/listener for privacy information.


