

Psicanálise de Boteco
Alexandre Patricio de Almeida
Freud explica ou Freud implica?
Já passou da hora de a psicanálise descer da sua “torre de marfim” e se tornar mais acessível. Alexandre Patricio de Almeida (@alexandrepatricio) — psicanalista, mestre, doutor e pesquisador de pós-doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP — apresenta, ao lado de Filipe Pereira Vieira (@filipepv), psicanalista, mestre e doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP, conversas sobre temas do cotidiano à luz da teoria psicanalítica. Sem jargões desnecessários e com a aposta de que é possível pensar profundamente sem complicar.
Já passou da hora de a psicanálise descer da sua “torre de marfim” e se tornar mais acessível. Alexandre Patricio de Almeida (@alexandrepatricio) — psicanalista, mestre, doutor e pesquisador de pós-doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP — apresenta, ao lado de Filipe Pereira Vieira (@filipepv), psicanalista, mestre e doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP, conversas sobre temas do cotidiano à luz da teoria psicanalítica. Sem jargões desnecessários e com a aposta de que é possível pensar profundamente sem complicar.
Episodes
Mentioned books

Mar 27, 2026 • 53min
Como nossos pensamentos afetam a nossa saúde mental
Nesse episódio, partimos de uma descoberta da neurociência para chegar onde a psicanálise já estava há muito tempo: os nossos pensamentos não são eventos isolados, particulares, que acontecem num plano separado da vida real. Eles são atos. Atos psíquicos que têm consequências biológicas, relacionais e subjetivas. Um estudo publicado na “Biological Psychology” mostrou que pensamentos negativos ruminativos aumentam os níveis de cortisol e alfa-amilase - marcadores de estresse no corpo - mesmo em repouso. Ou seja: a mente que rumina adoece o corpo o tempo todo. Fechamos o episódio com trechos do livro “O Perigo de Estar Lúcida”, de Rosa Montero.*Artigo científico do episódio:Engert, V., Smallwood, J., & Singer, T. (2014). Mind your thoughts: associations between self-generated thoughts and stress-induced and baseline levels of cortisol and alpha-amylase. Biological Psychology, 103, 283–291.🔗 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25457636/

Jan 24, 2026 • 1h 12min
Exposição demais, intimidade de menos
Vivemos cercados de imagens, opiniões e respostas imediatas, e, ainda assim, com uma dificuldade crescente de manter encontros reais. Nesse episódio, falamos sobre a fadiga de ser visto o tempo todo, a confusão entre presença e performance, e o que se perde quando tudo precisa virar uma espécie de vitrine. A partir de Byung-Chul Han, Winnicott e Hannah Arendt, pensamos como o colapso entre o público e o privado empobrece os vínculos e torna o outro cada vez menos suportável em sua inteireza. No final, recorremos à literatura e compartilhamos uma reflexão pessoal sobre a internet, a exposição e a necessidade de preservar zonas não capturáveis do ser.

Jan 10, 2026 • 56min
A fantasia de abandono
Nem todo abandono é real; muitas vezes, ele é fantasiado e vivido antes mesmo de qualquer perda concreta. Nesse episódio, conversamos sobre a fantasia de abandono; ou seja, o medo persistente de perder o outro quando ele ainda está ali. Para tanto, articulamos algumas contribuições de Freud, Klein, Winnicott e Lacan para pensar como o desamparo, o objeto interno, a falha ambiental e o lugar no desejo do Outro atravessam nossos vínculos amorosos, familiares e de amizade. A partir de cenas do cotidiano, refletimos sobre por que antecipamos perdas, por que o silêncio pode ser vivido como ameaça e como a análise pode ajudar a diferenciar a ausência real de uma marca traumática.

Jan 4, 2026 • 1h 8min
O estigma da loucura
O que chamamos de loucura, afinal? Nesse episódio, refletimos sobre como o sofrimento psíquico segue sendo tratado com medo, controle e abandono.A partir de uma tragédia que chocou o Brasil, discutimos negligência institucional, políticas públicas e recusa em reconhecer a subjetividade do sofrimento psíquico.Em diálogo com Foucault, Basaglia, Freud e Winnicott, propomos uma escuta ética da “loucura”. Este é um episódio a respeito daquilo que a sociedade prefere afastar - e que, por isso mesmo, insiste em retornar.*O caso clínico lido ao final está publicado no livro “O emergir da Unicidade Analítica: no coração da psicanálise” (Blucher, 2025), de autoria de Ofra Eshel.

Nov 15, 2025 • 51min
Quando um não quer, dois não brigam
Todo mundo conhece o ditado: “Quando um não quer, dois não brigam”, mas será que isso funciona quando olhamos pelas lentes da psicanálise? Nesse episódio, tomamos como base as teorias de Freud, Klein e Winnicott para pensar por que, às vezes, mesmo dizendo que “não queremos brigar”, já estamos dentro do conflito.

Nov 9, 2025 • 48min
A tristeza em uma cultura de performance
Nesse episódio, falo sobre um pouquinho sobre o meu novo livro, “Um elogio à tristeza” (Editora Record, 2025).Proponho uma reflexão sobre como as redes sociais e a cultura da performance moldam nossa relação com a vulnerabilidade (a nossa e a dos outros). Vivemos tempos em que ser feliz virou uma obrigação e, nesse cenário, a tristeza parece não ter mais lugar.Comento como a busca por sucesso e aprovação nos afasta da autenticidade e do direito de simplesmente estar triste, sem culpa ou pressa para “superar” alguma coisa.

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Oct 18, 2025 • 1h 8min
O que os psiquiatras não te contam
Você já saiu de uma consulta de dez minutos com uma receita na mão e a sensação de que ninguém te escutou de verdade?Nesse episódio, conversamos com @julianabelodiniz, psiquiatra formada pela USP, doutora em Psiquiatria pela mesma instituição e pesquisadora com pós-doutorado na área, além de especialista em pesquisa clínica pela Universidade de Harvard.Juliana é autora do livro “O que os psiquiatras não te contam” (Fósforo, 2025), uma obra que questiona a hipermedicalização da vida e a pressa da nossa cultura em querer silenciar o sofrimento. Falamos sobre o papel da escuta, os limites da medicação e a urgência de resgatar o humano no cuidado em saúde mental. Este é um episódio para pensar o que perdemos quando transformamos a dor em diagnóstico - e o tempo em comprimido.

Oct 12, 2025 • 50min
Exaustão mental
Vivemos cansados. Cansados de trabalhar, de responder mensagens, de corresponder a expectativas - e, às vezes, cansados até de nós mesmos. Porém, o que esse cansaço revela sobre a vida psíquica contemporânea?Nesse episódio, partimos de Freud, Winnicott e Byung-Chul Han para pensar a exaustão como sintoma de uma época que perdeu o limite, o brincar e o silêncio. Falamos do superego tirânico, do falso self que performa sem sentir, e da sociedade do cansaço que nos transforma em máquinas de desempenho.

Sep 21, 2025 • 1h 3min
As duas faces da vingança
Nesse episódio, falamos sobre as duas faces da vingança: destruição e criação. De Nina em Avenida Brasil a Ana Francisca em Chocolate com Pimenta, passando pela escrita de Tati Bernardi, Annie Ernaux e Édouard Louis, discutimos como a vingança pode ser um motor de transformação. A partir das teorias de Freud e Klein, refletimos sobre o ódio, a reparação e o inesperado sentido do verbo “vingar”: não só devolver a dor, mas fazer germinar algo novo.Estes são os livros que foram mencionados: *A boba da corte (Tati Bernardi, 2025);*A escrita como faca e outros textos (Annie Ernaux, 2023);*Mudar: método (Édouard Louis, 2024).

Aug 10, 2025 • 1h 2min
O poder da postura
Nesse episódio, refletimos sobre como impor respeito não tem a ver com gritar, se mostrar superior ou intimidar. Respeito verdadeiro nasce de postura, presença e clareza. A partir das ideias de Freud sobre o narcisismo primário e de Klein sobre identificação projetiva, discutimos como um Eu sólido e limites bem sustentados permitem dizer “não” com serenidade, manter a palavra firme e, ainda assim, preservar o diálogo


